
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
A audiência com o governador Eduardo Leite, nesta segunda-feira (8), foi o último ato da CPI dos Pedágios, que chega ao fim sem que haja um encaminhamento prático para a população. As recomendações que serão feitas por Miguel Rossetto (PT) no relatório final, que será lido e votado na quinta-feira (11), não deverão ser acatadas pelo governo, que mantém a convicção no modelo de concessões rodoviárias apresentado.
Responsável por elaborar o relatório, Rossetto deverá pedir que o Piratini faça revisões contratuais da concessão de rodovias estaduais do bloco 3, na Serra, e suspenda o andamento dos projetos previstos para os blocos 1 e 2. Para o deputado, o governo pode usar os recursos do Funrigs, já previstos como contrapartida nos editais, para encaminhar obras emergenciais.
Entretanto, Leite garantiu que defenderá até o final do seu governo os projetos para os blocos 1 e 2, mesmo admitindo a necessidade de ajustes depois do fracasso do leilão do lote de rodovias no Vale do Taquari e Norte do Estado. O governador voltou a responsabilizar a CPI pela ausência de parceiros interessados no bloco 2, mas também atribuiu o leilão deserto aos preços ajustados no edital, sem margem para imprevistos, e às previsões climáticas para o segundo semestre.
O deputado Felipe Camozzato (Novo), vice-presidente da comissão, argumentou que o bloco 2 já havia sido suspenso em 2022, e apontou outras tentativas sem sucesso de concessões para sugerir que o governo elabora maus editais.
Bastante irritado com as manifestações de deputados, Leite repetiu algumas vezes sua disposição "voluntária" de ir à CPI, lembrando que não estava na condição de convocado e, por isso, não tinha a obrigação de responder a todos os questionamentos. O governador classificou como "mentirosas" as afirmações de que o atual governo não entregará duplicações de rodovias, lembrando das obras que estão em andamento no bloco 3, operado pela concessionária CSG, e da RS-287, concedida ao Grupo Sacyr.
Classificada como "morna" por parlamentares, a sessão se arrastou por cerca de duas horas, com provocações entre deputados em razão do tempo acordado para manifestação de cada um — Beto Fantinel (MDB), que cobrava à risca o acordo firmado pela presidência da CPI, foi apelidado por outro deputado de "VAR do relógio". Sobrou tempo ainda para que os parlamentares fizessem o registro de vídeos e fotos durante as falas de outros integrantes.






