
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Quem esperava enfrentamentos entre opositores ideológicos se frustrou com o debate que colocou frente a frente pela primeira vez os oito pré-candidatos ao Senado no RS, nesta sexta-feira (26). Durante as duas horas e meia do evento realizado pela Granpal, no Instituto Caldeira, os candidatos escolheram para debater os postulantes que estão na mesma chapa ou têm visões políticas semelhantes .
Foram três blocos de perguntas feitas pela Granpal ou por entidades da Região Metropolitana aos candidatos, que podiam escolher quem faria o comentário. De cara, os aliados Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) foram sorteados em sequência para responder perguntas e escolheram um ao outro para debater os temas propostos pela Granpal. O resultado foi um jogral dos dois governistas em defesa das ações realizadas pelo atual governo que voltaria a se repetir nos blocos seguintes.
Marcel van Hattem (Novo) escolheu seus principais adversários, Paulo Pimenta (PT) primeiro e depois Manuela D'Ávila (PSOL) — os únicos que já haviam participado de debates na carreira. As perguntas foram relacionadas ao perdão da dívida do Estado com a União e educação, com críticas moderadas ao governo federal e à esquerda.
Por duas oportunidades, Ubiratan Sanderson (PL) foi sorteado por último e teve de perguntar a Milton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania). Quando foi o primeiro escolhido, optou por questionar Van Hattem, com quem divide a chapa, e puderam reforçar os discursos de criação de um fundo constitucional das regiões Sul e Sudeste e defesa do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, repetidos ao longo de todo o enfrentamento.
Entre os candidatos da esquerda, Pimenta escolheu duas vezes Manuela para responder, uma delas no início de um bloco. Enquanto o petista citou ações do governo federal como bandeiras do que defenderá no Senado, Manuela tentou abordar problemas do Estado para apresentar propostas que levará à Brasília caso eleita.
Nas suas vezes, Manuela escolheu Frederico em duas oportunidades, e ambos convergiram ao falar de união e feminicídios. Antes, Jaguarão foi sua opção para debater. Nas três perguntas, a estratégia adotada por Manuela foi de evitar o confronto e aproveitar o tempo apenas para apresentar suas ideias, o que a permitiu se aprofundar mais nas propostas do que os adversários.
Sem serem sequer listados pela última pesquisa RealTime Big Data, Milton e Jaguarão sabem que correm por fora na disputa pelo Senado. Por isso, usaram o espaço para se apresentar e defender ideias mais amplas, com críticas ao governo federal e ao sistema Judiciário.
Entre tapas e beijos
Quando a pergunta de um candidato a outro era de tema livre, Rigotto escolheu Sanderson para responder qual seria seu papel no Senado. O candidato do PL admitiu que votou duas vezes no emedebista para o governo do Estado e elogiou seu governo, antes de dizer que seu papel no Senado será de "demitir qualquer autoridade que venha a cometer abuso". Em resposta, ouviu de Rigotto que "Sanderson poderá fazer um belo trabalho no Senado".
Milton e Pimenta protagonizaram o momento mais quente do debate — e talvez o único —, quando o tucano perguntou ao petista se ele votaria pelo impeachment de ministros do STF e por que havia comemorado a não aprovação da CPMI do INSS. Pimenta enfatizou que não defende bandido e associou os escândalos envolvendo as aposentadorias e o Banco Master a Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni.
— Estou entrando na política para implodir esse sistema podre. Que bonito esse discurso. Você conhece o Jaques Wagner e o Rui Costa? — voltou a questionar Milton, que recebeu resposta apimentada:
— Lamento te informar, mas tu não vai entrar para a política. Esse teu discurso demagogo é muito conhecido. Te dedica a fazer o que tu sabe, porque na política com esse discurso de ódio, de intolerância, tu não vai a lugar nenhum.



