
O fato de nenhum investidor ter apresentado proposta para o leilão do Bloco 2 das concessões rodoviárias não desencorajou o governador Eduardo Leite de continuar defendendo o projeto na Assembleia Legislativa. Leite manteve a promessa de falar na CPI dos Pedágios na segunda-feira (8), atendendo ao convite dos parlamentares, e será ouvido a partir das 16h, no Plenarinho.
Antes de ser convidado, Leite havia manifestado interesse em prestar esclarecimentos, mas só falará agora, quando os trabalhos estão prestes a se encerrar. Pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, governadores não estão sujeitos à convocação por comissões parlamentares de inquérito no Legislativo estadual.
Na manifestação, Leite fará uma exposição sobre os desafios históricos da infraestrutura viária gaúcha, os limites da capacidade de investimento público e as razões que levaram o governo a optar pelo modelo de concessões para acelerar a modernização da malha rodoviária do Rio Grande do Sul.
O governo sustenta que as concessões representam o modelo capaz de viabilizar, em prazo compatível com as necessidades da população, o volume de investimentos necessário para superar décadas de deficiência na infraestrutura rodoviária.
Os números falam por si. Enquanto o Estado conseguiu duplicar cerca de 50 quilômetros de rodovias ao longo de 40 anos por meio do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), os projetos atualmente estruturados preveem quase 400 quilômetros de duplicações, além da implantação de terceiras faixas, acostamentos, passarelas, dispositivos de segurança e manutenção permanente das estradas.
— O debate não pode se limitar à existência ou não de pedágios. A questão central é se queremos ou não as estradas que os gaúchos precisam para se deslocar com segurança, atrair investimentos e gerar desenvolvimento. As concessões são o único caminho capaz de viabilizar esse volume de obras no prazo que a população necessita. Muito pior do que o preço de um pedágio é o preço de condenar o Rio Grande do Sul ao atraso, mantendo nossas rodovias sem os investimentos que elas exigem. A reflexão que temos de fazer é sobre qual Estado queremos para o futuro. Se vamos seguir presos ao atraso ou vamos avançar no salto de infraestrutura que a grandeza da nossa produção e da nossa população merecem — disse Leite ao confirmar a participação na CPI.





