
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
A convite do próprio Luciano Zucco, o presidente estadual do Podemos, Everton Braz, será o coordenador político da pré-campanha do candidato do PL a governador. Para aproximar a candidatura do centro ideológico, Braz foi escolhido em acordo entre os presidentes dos partidos que integram a coligação de direita (Republicanos, Novo, PP e Democrata, além de PL e Podemos).
Será de Braz o papel de articular as estratégias e tomar decisões políticas para a campanha, como definir tom de manifestações, peças publicitárias e propostas para o eleitorado. Além disso, o presidente do Podemos atuará como um elo entre os líderes da aliança durante a campanha, para unificar o discurso entre todas as áreas no entorno de Zucco.
Braz planeja uma reunião de todos os coordenadores da pré-campanha já na segunda-feira (25) para alinhamento entre os grupos temáticos e do plano de governo. Na coordenação, atuará ao lado do coronel Mário Andreuzza, responsável pela parte executiva (lida com a parte operacional da campanha, como definição de agendas e logística), e de Leonardo Pascoal, que comanda o plano de governo.
Foco no centro e no RS
Braz foi escolhido com a justificativa de que agrega um perfil jovem com posicionamento ideológico moderado. O movimento sinaliza uma aproximação de Zucco com o centro, para onde já tem feito acenos em manifestações recentes.
Na Federasul semana passada, o pré-candidato do PL afirmou que conta com o apoio do MDB, de Gabriel Souza, num eventual segundo turno contra Juliana Brizola (PDT). Nas redes, intensificou a publicação de vídeos em que fala sobre o Rio Grande do Sul, sem citar o cenário político nacional.
— Caminho é fazer aceno mais ao centro. Para governar, vamos precisar dialogar. Zucco já faz esse gesto na composição do grupo que o apoia, e isso deve se intensificar, sem perder os valores que ele traz — antecipa Braz.
O novo coordenador político enfatiza ainda que Zucco não negará sua proximidade com a família Bolsonaro, mesmo após a revelação do pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Entretanto, sua campanha deverá focar mais nos problemas do Estado e no cenário local.
— É um momento de cautela. Por enquanto, a denúncia não tem poder de destruição da candidatura do Flávio. Zucco atuou sempre muito próximo do Bolsonaro, tem relação pessoal, e isso ele não vai negar ou deixar de assumir publicamente. Mas, naturalmente, o debate que ele vai protagonizar é do Rio Grande do Sul, do que importa aos gaúchos e das soluções que o Estado precisa construir.
Conciliação
Quem também se junta ao alto escalão da campanha de Zucco é o ex-vice-prefeito de Porto Alegre Ricardo Gomes. Os dois voltam a trabalhar juntos após dois anos rompidos. Em março de 2024, ainda filiado ao PL, Gomes anunciou que não seria candidato à reeleição junto com Sebastião Melo, insatisfeito com a decisão do partido de nomear Zucco presidente municipal.
À época, o movimento foi interpretado como uma tentativa do PL de viabilizar candidato próprio na disputa pela prefeitura da Capital, o que acabou não se confirmando. O partido indicou Betina Worm para vice de Melo.
Gomes, que diz estar "mais afinado do que nunca" com Zucco, dará contribuições na área econômica e nas relações políticas e empresariais. Atualmente, ele é CEO do Instituto Millenium.



