
À luz das pesquisas recentes, a fusão das candidaturas de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) não seria suficiente para garantir a chegada ao segundo turno. Todos os levantamentos mostram o presidente Lula em primeiro lugar, com Flávio Bolsonaro em segundo.
Caiado, Zema e Renan Santos estão tecnicamente empatados nos principais levantamentos e, na prática, disputam a mesma fatia do eleitorado de Flávio. Logo, teriam que trabalhar para desidratar o candidato do PL, o que todos têm tentado evitar até agora.
Como ainda faltam quatro meses e alguns dias para eleição, com uma Copa do Mundo no meio, o movimento de Zema e Caiado tem lógica. O temor na centro-direita é que surjam novas denúncias contra Flávio Bolsonaro, que mentiu dizendo não ter qualquer relação com Daniel Vorcaro. Diante das provas de que havia entre eles uma relação estreita e que o banqueiro liberou R$ 62 milhões dos R$ 134 milhões prometidos para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, teve de voltar atrás.
O episódio subtraiu pontos do candidato do PL, mas não foi suficiente para fazer os adversários crescerem. A união de Caiado e Zema seria uma espécie de rede de segurança para evitar a vitória de Lula no primeiro turno, no caso de a candidatura de Flávio se desidratar. A hipótese de um quarto mandato de Lula apavora setores do empresariado, ainda mais agora que o presidente abraçou pautas incômodas para a direita, como o fim da jornada 6x1, e tenta adotar medidas populistas (a exemplo do fim da taxa das blusinhas) para conquistar os votos das classes menos favorecidas.
Em se concretizando a fusão das chapas, quem ficaria na cabeça, se nas pesquisas estão tecnicamente empatados, com leve vantagem numérica para Caiado? O ex-governador de Goiás está em um partido maior, mas o peso do seu Estado é incomparavelmente menor do que o de Minas. Caiado tem a preferência do agro, mas Zema tem mais potencial nas cidades.
E Renan Santos? O candidato do Missão acha que pode tirar votos de Flávio e de Lula, por dominar a linguagem da internet e ter mais chances de conquistar o voto dos jovens.
Caso seja Caiado a abrir mão da cabeça se chapa, será a segunda vez que o governador Eduardo Leite perde a indicação de seu partido para um candidato que desiste da candidatura no meio do caminho.
Caiado dá a entender que Zema toparia ser o vice — e o PSD tem bons argumentos para sustentar a candidatura do ex-governador de Goiás. Entre eles, o de que o Novo, na prática, virou um puxadinho do PL e está trabalhando por Flávio Bolsonaro, repetindo o que Zema fez em 2018, quando abandonou João Amoedo e abriu voto para Jair Bolsonaro.






