
Uma bomba caiu sobre a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira (13), com a divulgação de parte do conteúdo extraído do telefone de Daniel Vorcaro pelo Intercept Brasil. O que as mensagens mostram é uma proximidade que vai além do relacionamento social entre Flávio e o dono do Banco Master. Passa pela negociação de dinheiro grosso para o financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Registre-se que Flávio sempre negou qualquer proximidade com Vorcaro, mesmo ele tendo doados R$ 3 milhões para a campanha do pai em 2022.
Além de mensagens de visualização única, como as que semearam dúvidas sobre o conteúdo das conversas de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, há uma frase de Flávio que pode ser definida como nitroglicerina pura:
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio no dia 16 de novembro, véspera da prisão de Vorcaro, depois de duas mensagens de visualização única.
Essa proximidade já seria escandalosa para um candidato a presidente, mas a história é muito pior. O contexto da relação é o financiamento do filme sobre a vida de Bolsonaro, uma superprodução com pretensões e elenco hollywoodianos.
A reportagem do Intercept menciona uma negociação para liberar R$ 134 milhões para o longa — não como patrocínio, com menção nos créditos, mas como investimento. Os documentos repassados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado mostram que o Master pagou R$ 2,329 milhões em 2025 diretamente à Entre Investimentos e Participações, empresa que teria sido utilizada para repasses de dinheiro à produção do filme.
O publicitário Tiago Miranda, citado pelo Intercept, confirmou à coluna de Malu Gaspar, de O Globo, que intermediou a negociação de muito mais: R$ 62 milhões. Os repasses só não chegaram aos R$ 134 milhões porque o Master entrou em queda livre, Vorcaro foi preso e tornou-se uma testemunha-bomba, que tenta negociar um acordo de delação premiada que não deve se concretizar.
Confrontado com as provas, restou a Flávio admitir que é tudo verdade e se defender dizendo que não há dinheiro público envolvido e que não houve troca de favores. Mas é dinheiro sujo. Vorcaro lesou o Fundo Garantidor de Crédito e fundos de pensão que investiram no Master a poupança de servidores públicos.
Nota de Flávio Bolsonaro
"Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ."




