
A angústia dos deputados do PL que conversaram com o senador Flávio Bolsonaro nesta terça-feira (19) tem razão de ser. Depois das revelações a conta-gotas e das confissões que só ocorreram quando era impossível negar as relações com Daniel Vorcaro, quem pode ter certeza de que não saltarão mais cobras e lagartos da Caixa de Pandora do Banco Master? Na reunião com os companheiros de partido, Flávio garantiu que não há risco de aparecer alguma coisa mais comprometedora.
O problema é que nem os deputados sabiam do grau de envolvimento com Daniel Vorcaro, a quem Flávio dizia nem conhecer. Depois teve de admitir o bilhete, o áudio, o dinheiro para o filme e, a última, o encontro presencial quando o banqueiro já estava usando tornozeleira eletrônica, antes de ser chamado de volta à prisão.
As diferentes versões apresentadas pelos personagens envolvidos com o filme — e com os repasses de Vorcaro — também deixa os aliados com a pulga atrás da orelha. Mesmo depois de Flávio ter admitido a negociação com Vorcaro, e que segundo suas palavras não podia ser detalhada porque havia um contrato com cláusula de confidencialidade, o roteirista Mário Frias seguia negando a relação.
A versão era de que o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro tinha múltiplos investidores. Era balela. A produtora reconheceu que o filme foi quase que integralmente financiado pelo dono do falecido Master. Nesta terça-feira, o Intercept revelou áudio de Mário Frias agradecendo a Vorcaro por apoiar o filme sobre Bolsonaro, com a promessa de "falar como as coisas vão andando".
A expressão facial dos aliados nas fotos vale por mil entrevistas dizendo que está tudo bem. O ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato ao governo do Paraná, parece pronto para ser levado ao Madame Tussauds, o mais famoso museu de cera do mundo. Moro não é o único a expressar desconforto pela rigidez dos músculos da face.
A preocupação dos candidatos que estão amalgamados a Flávio Bolsonaro e ao pai é com o desgaste decorrente de cada nova revelação e o risco de contaminação das campanhas. Convém lembrar que o Master é apenas um dos problemas de Flávio. Na campanha, ele será chamado a explicar outras rachaduras no seu telhado de vidro — da mansão financiada pelo BRB e quitada precocemente às ligações com milicianos do Rio, sem falar na rachadinha e em outros episódios nebulosos da vida pregressa.





