
O maior sinal de maturidade política de um candidato é reconhecer os acertos dos antecessores e não querer fazer a política da terra arrasada, como se tudo tivesse de começar do zero. Na eleição deste ano, os candidatos precisam reconhecer que entre os acertos do governo de Eduardo Leite está o programa RS Seguro, que conseguiu reduzir a criminalidade a partir de premissas universais, como a necessidade de integração, de investimentos e de uso da inteligência.
É claro que muita coisa ainda precisa ser feita, até porque o combate à violência é um projeto permanente. Se afrouxar, os indicadores de criminalidade voltam a subir.
O programa começou ainda no primeiro governo de Leite, quando o então vice-governador Ranolfo Vieira Júnior era o secretário da Segurança Pública. Definido como “transversal e estruturante”, o RS Seguro precisa ser conhecido e estudado pelos candidatos antes que comece a campanha eleitoral e, com ela, as propostas populistas, que desprezam as evidências.
Ligado diretamente ao gabinete do governador, que acompanha na vírgula o andamento do programa, o RS Seguro está sob comando do delegado Antônio Carlos Pacheco Padilha, na condição de secretário executivo. É um técnico apaixonado pelo que faz e que deve ser valorizado por quem assumir o governo a partir de janeiro de 2027.
No relatório que apresenta os resultados até 2025 constam depoimentos de uma série de autoridades e especialistas, mas a coluna destaca o de Alberto Koppitke, por ser o escolhido para cuidar da segurança pública no plano de governo de Juliana Brizola (PDT), uma das candidatas da oposição: “O RS Seguro é uma das melhores experiências de segurança pública já realizadas no Brasil e em toda a América Latina. A integração, a focalização, a proatividade e o uso de análise criminal são exemplos de segurança pública baseada em evidências”.
Um dos pontos mais relevantes do RS Seguro é o foco na prevenção, para não precisar enxugar gelo no futuro. O modelo que o programa persegue é o das sociedades civilizadas, que investem na educação e na área social para não ter de gastar recursos e energia apenas na punição. Por isso, o RS Seguro tem o aval e o apoio da Unesco e de outros órgãos internacionais.
ALIÁS
Na reta final do governo, Eduardo Leite criou uma espécie de “RS Seguro” na Educação. O próximo governo precisa ter em mente que a prioridade à educação não pode ficar só no discurso nem no olhar saudosista do passado, muito menos em soluções simplistas. O governador (ou governadora) terá de chamar para si a responsabilidade pela educação, e, desde já, se comprometer a não indicar um afilhado político para a pasta.




