
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Tema presente em quase todos os painéis, entrevistas e debates com pré-candidatos ao Palácio Piratini, a concessão de rodovias estaduais acumula divergências desde a apresentação das propostas para os blocos 1 e 2 no ano passado e se encaminha para ser uma das principais polêmicas da próxima eleição. Dos quatro principais postulantes, apenas um garante a manutenção do modelo já encaminhado – justamente o candidato governista, o vice-governador Gabriel Souza (MDB).
Atualmente, as principais críticas recaem sobre o bloco 1 (que inclui rodovias da Região Metropolitana, vales do Sinos e Paranhana e Litoral Norte), principalmente por atingir uma fatia maior da população e ainda permitir alterações na proposta, pois será o último a ser negociado e o edital ainda não foi finalizado.
A previsão do governo no início do ano era concluir o certame do bloco 1 até a metade do ano, mas teve de recuar depois de ser contrariado por entidades empresariais e líderes regionais pelo elevado número de pedágios com valores altos, mesmo com uma contrapartida de R$ 1,5 bilhão do Funrigs para redução das tarifas.
Agora, estuda mudanças no modelo e promete apresentá-las até o final do mês. Mesmo assim, há convicção do Piratini, e também de Gabriel, de que esta é a única maneira de garantir qualidade nas estradas. O principal argumento do governo é de que as concessões vão garantir um volume de duplicações em 10 anos que será 10 vezes maior do que o Estado conseguiu fazer em 40, com previsão de investimentos na ordem de R$ 6 bilhões.
Mesmo assim, o peso no bolso dos motoristas é onde os candidatos da oposição se apegam para criticar a modelagem elaborada. Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) defendem como alternativa que o Estado use o valor da contrapartida, de R$ 1,5 bilhão, para executar por conta própria as obras previstas para o bloco 1 e evitar a instalação de novos pedágios. Maranata cita a possibilidade de conceder as rodovias apenas para garantir a manutenção e dar suporte aos motoristas, o que reduziria drasticamente as tarifas.
Prévia dos debates
Faltando quatro meses para a eleição, Gabriel e Zucco já protagonizaram o primeiro embate sobre o tema. Na semana passada, o vice-governador afirmou que a sugestão de Zucco previa a manutenção da EGR, estatal criada por Tarso Genro (PT). Zucco rebateu dizendo que o vice-governador estaria mentindo, e Gabriel aproveitou para explorar o tema nas redes.
Aliás
O leilão do bloco 2 de rodovias está marcado para o dia 10 de junho, na B3, em São Paulo, mesma data em que deve ser votado o relatório final da CPI dos Pedágios na Assembleia Legislativa.
O governo também promete apresentar mudanças na proposta de concessão do bloco 1 ainda neste mês, para tentar finalizar o processo o quanto antes. Das duas, uma: ou o leilão terá de ocorrer durante ou logo após a eleição, ou caberá ao próximo governador conduzir (ou cancelar) o certame.





