
O placar no plenário da Câmara dos Deputados que aprovou o texto do relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1 se explica pelo componente eleitoral. A proposta foi aprovada por 472 votos a 22 em primeiro turno e 461 a 19 votos no segundo turno. O apoio expressivo não se dá por convicção da maioria, mas porque os deputados têm medo de perder votos, como admitiu o presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Durante a tarde, a comissão especial montada para analisar a PEC aprovou a medida por 34 votos a quatro, e a lista de como votaram os deputados é reveladora. Dos sete votos do PL, quatro foram a favor e três contra. Entre os que votaram "não" estão os gaúchos Osmar Terra e Maurício Marcon — o primeiro eleito pelo MDB e o segundo pelo Podemos. A terceira é Júlia Zanatta, de Santa Catarina. O quarto voto contrário veio do Novo.
Na comissão, o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas foram aprovados por deputados de 14 partidos: PT, PCdoB, PSOL, PSB, MDB, Republicanos, PDT, União Brasil, PSDB, PP, PSD, Avante, Solidariedade, Podemos. Os deputados gaúchos que votaram a favor são Daiana Santos (PCdoB), Maria do Rosário (PT), Any Ortiz (PP) e Pedro Westphalen (PP).
A PEC estava parada no Congresso e só andou porque o presidente Lula resolveu adotá-la, encaminhou projeto de lei em termos semelhantes ao Congresso e negociou um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta. A reação contrária das federações empresariais e os alertas de que o fim da escala 6x1 vai provocar desemprego, inflação, falta de competitividade e quebradeira de empresas não sensibilizaram os parlamentares.
No ano eleitoral, falam mais alto as pesquisas que mostram a popularidade do tema entre a população em geral.
Se passar no Senado como foi aprovada na Câmara, os dois dias de folga por semana passarão a valer 60 dias após a promulgação. Por se tratar de emenda, não cabe ao presidente vetar ou sancionar — é o próprio Congresso que promulga.
A mudança vale para salários abaixo de R$ 21,1 mil. Trabalhadores que ganham mais do que isso não terão limite de jornada.



