
Era inevitável que a revelação das mensagens de áudio e texto de Flávio Bolsonaro para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tivessem impacto na sua candidatura a presidente. Faltava saber qual a medida do abalo sísmico na escala das pesquisas. O levantamento Atlas/Bloomberg divulgado nesta terça-feira mediu e constatou uma queda de 5,4% na simulação de primeiro turno, o que ampliou a vantagem do presidente Lula. No cenário posto hoje, Lula tem 47%, Flávio, 34,3%, Renan Santos, 6,9%, Romeu Zema, 5,2% e Ronaldo Caiado, 2,7%.
É nos cenários de segundo turno que o baque se revela mais forte. Flávio perdeu seis pontos em comparação com a pesquisa anterior. Na simulação entre Lula e Flávio, que na pesquisa anterior apareciam tecnicamente empatados, o presidente se distanciou. Está com 48,9%, contra 41,8% de Flávio. O Atlas simulou também um segundo turno entre Flávio e Fernando a Haddad e também com Geraldo Alckmin. Nos dois casos, o senador aparece atrás pela primeira vez uma pesquisa com os dois candidatos cotados para substituir Lula, na hipótese de ele não concorrer.
O Atlas simulou cenários sem Flávio – e em todos a vantagem de Lula é consistente. Na simulação sem o senador, mantidos os atuais pré-candidatos, Lula teria 46,7% das intenções de voto. Os principais herdeiros dos votos de Flávio seriam Romeu Zema, com 17% e Ronaldo Caiado, que tem 13,8%, situação que se enquadra como próxima do empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. Nessa hipótese, Lula venceria o primeiro turno.
Em um sinal de que o escândalo afeta outros membros da família Bolsonaro, a substituição de Flávio por Michelle não resolveria a crise do PL. No cenário com a ex-primeira-dama ela tem 23,4% e Lula vai a 47%, o que também significaria vitória no primeiro turno, já que a soma dos demais candidatos é inferior.
O envolvimento de Flávio com o Master é de amplo conhecimento dos entrevistados. Como adversário na berlinda, a avaliação de Lula apresentou leve melhora, com a aprovação variando de 47% para 47,4% e a desaprovação caindo de 53% para 51,3%.
A pesquisa ouviu, pela internet, 5.032 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro é de um ponto porcentual para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A metodologia utilizada foi o recrutamento digital aleatório. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06939/2026.
Flávio contesta resultados
Após a divulgação dos resultados, a campanha do senador Flávio Bolsonaro divulgou que questionou a pesquisa na Justiça Eleitoral. Segundo um comunicado enviado à imprensa, a ação judicial sustenta que a estruturação das perguntas induz uma percepção negativa sobre o candidato do PL e chama a pesquisa de "fraudulenta".
"A sequência das perguntas, a forma de apresentação dos temas e o uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados, comprometendo a integridade dos resultados", afirma a nota.
A defesa de Flávio diz que o instituto "deixou de observar a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais" e pede a apuração de possíveis crimes eleitorais e a suspensão da divulgação do levantamento.
A peça tem 25 páginas e é assinada pelos advogados Maria Claudia Bucchianeri Pinheiro, Marcelo Luiz Ávila de Bessa, Ana Marcia dos Santos Mello e José Vicente Santini.
Em nota, o Atlas afirmou que ainda não foi notificado oficialmente. Além disso, diz o questionário e a pesquisa foram conduzidos com rigor técnico e metodológico, orientados pelos princípios da imparcialidade, transparência e qualidade dos dados.
"A AtlasIntel reafirma seu compromisso com a integridade da pesquisa eleitoral e com o papel essencial que levantamentos independentes e tecnicamente robustos desempenham para o funcionamento da democracia. Tentativas de desqualificar pesquisas por vias jurídicas, sem que haja fundamento técnico demonstrável, representam um risco ao debate público informado e à liberdade de imprensa", completa o comunicado.



