Surto autoritário é a expressão mais adequada para definir a tentativa de líderes do PT de impedir, pela via judicial, a exibição do filme Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O nome disso é censura, vedada pela Constituição brasileira. Deixem que os espectadores decidam se querem ou não pagar ingresso para ver o filme que ganhou — para o bem e para o mal — divulgação semelhante ao dos indicados para o Oscar.
Haverá quem queira ir ao cinema para ver o ídolo interpretado por um ator americano, dirigido por um figurão de Hollywood. Haverá quem se disponha a pagar ingresso para assistir o filme mais caro da história do cinema brasileiro, financiado com o dinheiro sujo de Daniel Vorcaro.
O trailer apresentado aos deputados e senadores aliados na tarde de terça-feira (19), depois da tensa reunião com Flávio Bolsonaro, ganhou aplausos entusiasmados, a despeito da qualidade duvidosa do roteiro e da interpretação do protagonista. O roteiro, de autoria do ex-ator Mário Frias, incorpora teorias conspiratórias disseminadas pela família Bolsonaro após a facada sofrida pelo então candidato em 2018. E apresenta o “dark horse” como o homem que desafiou o sistema. A ironia é que o filme foi financiado pelo pior do sistema financeiro, com intermediação do filho mais velho, hoje candidato a presidente da República.
A censura tem de ser repudiada sempre. Não se pode ser liberal nem democrático pela metade. Tentar impedir a exibição do filme é vitimizar a família. O dinheiro de Vorcaro já foi aplicado e, em nome da transparência, deveria ser apresentada a prestação de contas. Porque não é uma transação entre dois entes privados, como Flávio quer fazer crer nas suas explicações repletas de lacunas.
Aliás
Não confunda “Dark Horse" com o nosso conhecido “tordilho negro", nem com cavalo zaino. O título do filme que conta a vida de Jair Bolsonaro é uma expressão idiomática que em português se chamaria de “azarão”, aquele animal no qual ninguém aposta, mas acaba vencendo a carreira.




