
Sem dizer quando fará isso, o presidente Lula confirmou nesta sexta-feira (29), em Sergipe, que vai reencaminhar ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Em um país de tantos juristas competentes, homens e mulheres com currículo melhor que o de Messias, a insistência só pode ser interpretada como teimosia ou falta de inteligência.
Chega a ser cruel com o próprio Messias submetê-lo novamente ao calvário de mendigar votos em um Senado que se move à luz de interesses nem sempre republicanos.
É fato que Messias foi rejeitado por motivos políticos, em um momento de fragilidade de Lula, e que o cenário parece ter mudado. Mas também é verdade que não há segurança de que o Senado vá garantir os votos necessários, ainda mais em plena campanha eleitoral. Lula pode ter acertado os ponteiros com Davi Alcolumbre, mas não tem seguro contra nova rejeição.
O presidente perde, assim, a oportunidade de indicar uma mulher e tornar o STF um pouco menos machista. Não uma mulher qualquer, mas uma jurista qualificada. O Brasil tem de sobra advogadas e juízas em condições de assumir uma cadeira na Suprema Corte, mas Lula só consegue enxergar competência no seu círculo íntimo de amigos.

