
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Terceira pré-candidata ao Palácio Piratini a participar do Tá Na Mesa Pré-Eleições, Juliana Brizola (PDT) causou uma boa impressão nos empresários que acompanharam a reunião-almoço na Federasul. Na sua apresentação, Juliana adotou um discurso alinhado aos interesses do setor empresarial, com ênfase na educação de tempo integral e em medidas para reforçar ainda mais a segurança pública no Estado.
Juliana falou da sua biografia logo de cara, numa tentativa de se apresentar ao empresariado, que costuma ser avesso a candidatos de esquerda. A pedetista lembrou da sua relação com o avô, Leonel Brizola, ao falar do legado que ele deixou para a educação no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, onde foi governador. Juliana também resgatou a lei das escolas de tempo integral, proposta e aprovada quando era deputada.
Quando à segurança pública, outro tema caro ao público da Federasul e encarado como um calcanhar de Aquiles da esquerda brasileira, Juliana destacou que manterá as medidas do governo Eduardo Leite que estão dando resultados positivos. Criticou, entretanto, o enfrentamento aos feminicídios, citando o modelo espanhol VioGén, de monitoramento e avaliação de risco de violência de gênero, como exemplo do que poderia ser adotado no Rio Grande do Sul.
Segundo Juliana, atingir bons indicadores nas três áreas garantem um ambiente de previsibilidade econômica, e defendeu a construção de um "Estado eficiente ao invés de um Estado inchado". Preocupada com a previsão de que o governo encerrará 2027 com déficit de R$ 4,8 bilhões nas contas públicas, Juliana disse que algumas estratégias que terão de ser revistas, mas fez uma garantia aos empresários:
— Nós não vamos aumentar imposto nenhum, não é esse o caminho. Inclusive, até termos essa notícia do déficit, estávamos trabalhando para gradativamente reduzir as alíquotas num eventual governo. O que nos diferencia não pode ser maior do que o avanço econômico e social que queremos para o nosso Estado — sinalizou.
Agradou
Se antes do encontro havia certo temor por parte dos empresários do que ouviriam dos pré-candidatos da esquerda, após a reunião-almoço a reação era de surpresa. Os acenos sobre temas caros aos participantes, como a promessa de não elevar tributos, a abertura para concessões ou a garantia de cumprimento das decisões judiciais sobre reintegrações de posse em terras ocupadas, deixaram boas impressões.
Também agradou a ausência completa de menções ao presidente Lula durante o Tá Na Mesa. Além de breves citações do governo federal, nem Juliana nem Edegar Pretto, pré-candidato a vice-governador pelo PT, citaram o nome do presidente durante suas manifestações ao longo do evento.
Agenda
O quarto e último postulante a governador a participar do Tá Na Mesa Pré-Eleições será Gabriel Souza (MDB), que encerra a série de painéis em 3 de junho. Na semana seguinte, no dia 10, a Federasul planeja um debate com os postulantes ao Piratini, mas a entidade ainda aguarda a confirmação dos quatro para selar a data.





