
À época em que antecipou sua aposentadoria como ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa chegou a ser considerado um forte candidato à Presidência da República. Filiado ao PSB, viu o cavalo passar encilhado à sua frente e não montou. Mergulhou no ostracismo por mais de uma década e agora emerge como pré-candidato ao Planalto pelo Democracia Cristã, na esteira do fracasso de Aldo Rebelo nas pesquisas.
A dúvida sobre se a filiação tinha sido feita em tempo hábil foi dirimida nesta segunda-feira (18). O DC prova que ele se filiou em 2 de abril e a ficha foi encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral no dia seguinte. Legalmente, está apto a ser candidato a qualquer cargo nesta eleição.
O problema do ex-ministro é político e não legal. Embora seja um homem íntegro, sem qualquer deslize ético na biografia, Joaquim Barbosa é desconhecido da grande maioria dos eleitores. Teria que começar quase do zero, se apresentando como o relator da ação penal do mensalão, que condenou políticos da esquerda e da direita e acabou com a carreiras de líderes como José Dirceu (PT) e Roberto Jefferson (à época no PTB).

Nesses tempos em que a pré-campanha se faz em boa parte pelas redes sociais, como fazer Joaquim Barbosa se tornar conhecido dos eleitores? Esse é um dilema do DC, um partido sem estrutura, sem capilaridade e sem tempo na propaganda de rádio e TV. O que no passado era um ativo – ter sido ministro do Supremo Tribunal Federal – hoje não é mais.
Claro que Joaquim Barbosa tem a vantagem de poder se apresentar como um ministro que atuou contra a corrupção e que nunca recebeu dinheiro de banqueiro vigarista. O problema é fazer essa mensagem chegar aos eleitores que hoje estão dispostos a votar no presidente Lula ou no senador Flávio Bolsonaro e conquistar os indecisos e aqueles desiludidos que estão dispostos a votar nulo ou em branco ou, simplesmente, não votar no dia da eleição.



