Para quem compra bugigangas da China — sejam blusinhas, ferramentas ou utensílios de cozinha — o fim do imposto de exportação para aquisições de até US$ 50 é uma boa notícia. Quando foi criada, essa taxa sofreu críticas da oposição e foi uma das responsáveis pelo apelido de "Taxad", dado ao então ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Agora, a cinco meses da eleição, o presidente Lula revogou o imposto.
É impossível dissociar essa medida populista da preocupação em melhorar os índices do governo e facilitar a reeleição. Lula e seu ministro da Fazenda, Dario Durigan, sabem que a medida é prejudicial à indústria e ao varejo brasileiros. Os líderes empresariais cansaram de alertar que significa concorrência desleal, mas a decisão é essencialmente política. Os compradores de produtos estrangeiros são mais numerosos do que o dos empresários prejudicados. E como faz diferença na vida das classes C e D, o governo editou a medida provisória.

Lula se antecipou ao início da campanha eleitoral e desarmou uma arapuca do principal opositor, o senador Flávio Bolsonaro. Dias antes, Flávio anunciou que, se eleito, acabaria com a “taxa das blusinhas”. Foi a senha para a ala política do Palácio do Planalto furar a bolha.
No mundo imaginário em que vive parte dos políticos brasileiros, a equação é simples: acaba com a taxa das blusinhas e oferece uma compensação tributária às empresas brasileiras. Doce ilusão: a menos que a irresponsabilidade fiscal grite mais alto. Os R$ 5 bilhões que as compras do Exterior até US$ 50 renderam em 2025 farão falta em outra ponta, já que o corte de gastos não está no radar do governo e na oposição habita o território dos discursos.




