
Foram dois dias mágicos a sexta-feira e o sábado em Porto Alegre. Em sua segunda edição nesse formato renovado, o Festival Fronteiras iluminou a Praça da Matriz com seus prédios históricos, que abrigaram diferentes vozes para falar dos dilemas contemporâneos. E a praça se encheu de gente de todas as idades, ávida por conhecimento ou simplesmente aberta aos encontros com ídolos, com amigos, com gente que só conhece de ler ou de ouvir falar.
O festival nesse formato de múltiplos palcos é uma evolução do Fronteiras do Pensamento, que trouxe ao Rio Grande do Sul tantos intelectuais de peso. O idealizador, o visionário Fernando Schüler, entendeu que não cabia mais entre as quatro paredes de um auditório e foi atrás de parcerias para levar o Fronteiras a um público mais amplo e mais diverso.
Nasceu em 2025 o Festival Fronteiras com múltiplos palcos, no entorno da Praça Matriz. Neste ano, mostrou-se tão maduro que já não dá para imaginar a cidade sem ele — e aqui vai um apelo aos candidatos que buscam o nosso voto para chegar ao Palácio Piratini: não deixem morrer um projeto tão importante por estreiteza de visão.
Assim como a Orquestra Jovem de Porto Alegre, uma ideia de Schüller encampada pela então governadora Yeda Crusius, sobreviveu às trocas de governo, temos, como sociedade, que defender o Fronteiras com unhas e dentes. Porque o festival é democrático neste formato. Quem pode pagar o ingresso para as conferências restritas, paga com prazer. Quem não pode tem acesso gratuito a múltiplas palestras, conversas e reflexões que fazem pensar.
As empresas privadas também precisam associar suas marcas para que o Fronteiras não morra por falta de patrocínio. É pela cultura que uma sociedade evolui. O público que lotou praticamente todas os palcos merece viver numa cidade que fornece alimento para alma. Entre as capitais brasileiras — e isso foi dito por Schüller — só Porto Alegre tem uma concentração de espaços como esses que cercam a Praça da Matriz. E que vai melhorar com a conclusão da reforma do Theatro São Pedro, do Solar dos Câmara e do Dante Barone, na Assembleia Legislativa.





