
Incerteza é a palavra mais usada por líderes empresariais para definir o cenário político após a revelação das ligações promíscuas entre Flávio Bolsonaro e do Banco Master, Daniel Vorcaro. Como ninguém sabe o que mais pode sair da Caixa de Pandora do Master, a ordem é manter a cautela à espera dos desdobramentos.
— Estamos debatendo e fazendo uma releitura do cenário, ainda com opiniões bastante divergentes entre nós, sobre a amplitude dos efeitos nos candidatos de direita — define o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa.
De acordo com o presidente da Federasul, neste momento há um sentimento muito forte de desalento, tanto pela dor com a situação atual de perda de renda, endividamento, inadimplência e recuperações judiciais, quanto pelo agravamento da situação prevista para 2027, sob qualquer presidente. Rodrigo diz que o risco de agravamento da situação decorre da possibilidade de Lula “dobrar a aposta” nas políticas públicas que, segundo ele, produziram a crise fiscal.
— A mudança política representa a esperança de começar a enfrentar as causas da crise social e econômica, com valores e princípios. Flávio vinha se apresentando como a alternativa politicamente mais viável para uma mudança, tentando construir a credibilidade da proposta, numa disputa com perspectivas já muito acirradas — afirma o presidente da Federasul.
O empresário reconhece que o mais difícil agora é Flávio explicar mudanças drásticas de versões em tão pouco tempo, o que coloca em xeque sua credibilidade. Ele não arrisca um palpite sobre quem pode crescer com o desgaste de Flávio. Acredita que Romeu Zema não tem esqueletos escondidos no armário, foi bem no ataque “aos intocáveis”, mas com uma torcida tão passional da esquerda e da direita, leal a um time, fica difícil prever adesão e rejeição a partir dos fatos ora revelados.
— Há um estrago evidente, com risco agravado, mas a poeira precisa baixar um pouco para podermos prever a tendência de quem se beneficia politicamente — pondera.
— O empresariado está preocupado — sintetiza o presidente da Farsul, Domingos Velho, reproduzindo o que foi a reação do mercado financeiro na quarta-feira (13).
Velho acredita que tanto Romeu Zema como Ronaldo Caiado têm oportunidade de crescer nas próximas pesquisas. Destaca que os dois têm perfis diferentes — Zema é mais urbano, enquanto Caiado é identificado com o meio rural. O ex-governador de Minas ganhou visibilidade com os ataques aos Supremo Tribunal Federal, enquanto Caiado prefere exaltar sua história política, sem envolvimento em escândalos.
— Vai depender de como a polarização encarará as ações de ambos os lados — resume.
De volta a Porto Alegre depois de uma semana em Nova York, o presidente da Fiergs, Cláudio Bier, ainda não teve tempo de conversar com seus pares. Acompanhou as notícias à distância e tem dúvidas se quem vazou as informações foi alguém da oposição ou se foi fogo amigo.





