Não há surpresa na nova fase da Operação Compliance, que foca no senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro. A dúvida não era "se", mas quando a Polícia Federal chegaria em Ciro por suas relações perigosas com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A PF tem provas de que foi Vorcaro quem redigiu a emenda apresentada por Ciro, aumentando o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Foi Ciro também o autor de um projeto que nocauteava a independência do Banco Central ao permitir que o Congresso afastasse diretores. Não passou, mas escancarou o jogo de interesses que ficaria mais claro com os desdobramentos do Caso Master. O objetivo seria retirar diretores que resistiam à tentativa de empurrar uma instituição podre para o Banco Regional de Brasília, o BRB, cujo presidente à época está preso por envolvimento nas maracutaias.
Ciro não foi preso nem está usando tornozeleira, mas não pode se comunicar com o irmão nem com o primo de Vorcaro, que seriam operadores do esquema. O que pesa contra ele é gravíssimo – suspeita de receber propina milionária para defender interesses escusos.
A dúvida no Rio Grande do Sul é o que fará o PP diante do envolvimento de seu presidente nacional em escândalos que vão além do Master. Ciro estava no avião de um dono de Bet que está sob investigação porque na chegada ao Brasil as malas dos passageiros passaram por fora do Raio-X. Ele também é citado na Operação Carbono Oculto, da qual só apareceu a ponta do iceberg até agora.

Em um passado não muito distante, o PP gaúcho (à época com outro nome) declarou Paulo Maluf como persona non grata no Rio Grande do Sul. Era um tempo em que o partido se achava diferente no Estado.
Em nota encaminhada à coluna pela assessoria do PP gaúcho, o partido reforça que segue coerente com a sua história, e pede apuração das denúncias e a garantia do direito à defesa.
Leia a nota
"A posição do PP gaúcho segue a mesma, coerente com toda a sua história: qualquer denúncia deve ser apurada tecnicamente, com a punição de eventuais envolvidos. Sempre ressaltando que é preciso permitir o amplo direito à defesa e ao contraditório. Isso independe de partido ou qualquer posição. Nada muda do que sempre defendemos."






