
A tradução mais perfeita das mudanças ocorridas nos municípios gaúchos que fazem fronteira com a Argentina e o Uruguai depois da autorização para a abertura dos free shops do lado brasileiro é Uruguaiana. A cidade da Califórnia da Canção Nativa e da ponte por onde entram mais cargas e turistas no Rio Grande do Sul se transformou, gerou empregos e cresceu em qualidade de vida. Para essa mudança se status contribuiu também a chegada de voos regulares, encurtando a distância que a separa da Capital pela BR-290.
Na esteira dos freeshops, o setor de serviços deu um salto. Surgiram novos cafés e restaurantes, os hotéis tiveram de ser modernizar e há novos projetos em fase de gestação. Tudo isso sem o município abrir mão da excelência na pecuária e da condição de maior produtor de arroz do Brasil.
Os free shops e a aviação regional foram uma obsessão do deputado Frederico Antunes (PSD), filho da terra, em seus múltiplos mandatos. Ainda que a decisão sobre as lojas francas terrestres dependesse de Brasília, o deputado fez alianças impensáveis para atender à demanda da Fronteira. Em 2020, procurou o então deputado federal Marco Maia (PT) e sugeriu mudanças no projeto que estava em discussão, para garantir a viabilidade junto à Receita Federal.
Deu certo, e hoje Uruguaiana é conhecida como "a capital dos free shops". Todas as 11 cidades gêmeas aproveitaram a oportunidade e abriram lojas sem imposto no lado brasileiro — além de Uruguaiana, Porto Xavier, Porto Mauá, São Borja, Itaqui, Barra do Quaraí, Quaraí, Santana do Livramento, Aceguá, Jaguarão e Chuí.
Com maior número de lojas, Uruguaiana atraiu turistas que chegam de carro, ônibus e avião. O voo da Azul, com apenas quatro frequências semanais, está sempre lotado — e quem chega no aeroporto recém reformado e hoje sob gestão privada é recebido com uma taça de vinho, primeiro contato com a hospitalidade dos uruguaianenses.
Nesta sexta-feira (22), o diretor do Departamento de Economia e Estatística da Secretaria de Planejamento, Tomás Fiori, apresentará o resultado preliminar do estudo realizado pelo governo do Estado sobre o impacto das lojas francas terrestres na economia da região. Para o encontro, organizado por Frederico na condição de presidente da Frente Parlamentar dos Free Shops, foram convidados os donos de lojas e autoridades locais.
Com base nesse estudo, o governo gaúcho tenta agora convencer a Receita Federal a ampliar de US$ 500 para US$ 1 mil a cota que cada cliente brasileiro pode gastar sem precisar atravessar a fronteira. O mesmo documento será usado para fazer lobby junto às companhias aéreas, na tentativa de aumentar a oferta de voos para Porto Alegre e retomar a ligação direta com São Paulo.





