Atolado até o pescoço no escândalo do Banco Master, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), tornou-se um aliado indigesto depois que a Polícia Federal expôs suas ligações nada republicanas com Daniel Vorcaro.
A investigação escancara a falta de pudor de Ciro Nogueira em receber dinheiro e favores de um banqueiro falido que lesou pessoas físicas e fundos de previdência de servidores públicos. Ficar perto do presidente do PP faz mal à saúde política de quem até a semana passada era da sua turma.
De todos os candidatos que se apresentam para disputar a Presidência da República em outubro, Flávio Bolsonaro é o que mais tem a perder com o envolvimento do Ciro no escândalo do Master. Isso explica a pressa do candidato do PL em defender a abertura de uma CPI do Banco Master, mesmo sabendo que ela não vai prosperar.
Flávio podia ter trabalhado pela CPI lá atrás, mas não o fez. Agora é fácil falar em CPI, sabendo que não sairá uma investigação, porque há mais parlamentares enredados na teia de Vorcaro.
Na campanha, Flávio não terá como negar a ligação política com Ciro. Ele foi artífice da aliança com o PL, negociada nos detalhes com Valdemar Costa Neto, um homem que já esteve preso por envolvimento no mensalão, escândalo que derrubou nomes até então promissores do PT, como José Dirceu. Ciro Nogueira e Valdemar formam uma dupla afinada. Cada um no seu partido, controlam os milionários fundos eleitoral e partidário que azeitam a máquina de fazer votos.
Ciro e Valdemar também foram parceiros na construção da aliança que garantiu o apoio do PP do Rio Grande do Sul à candidatura de Luciano Zucco (PL) a governador, tendo Silvana Covatti como vice. Não há como se livrar tão fácil desses personagens — daí a reação cautelosa do PP gaúcho em relação a Ciro. O presidente do partido no RS, Covatti Filho, é amigo do senador e homem de sua confiança. Com aval de Ciro, Covattinho conquistou o comando da Fundação Milton Campos, motivo de ciumeira entre os líderes do PP local.
Ser amigo ou parceiro político de Ciro Nogueira não significa que Flávio ou Zucco tenham qualquer envolvimento com as iniquidades do senador do Piauí. O problema é a associação da imagem a um personagem que usou o cargo para atuar como lobista do Banco Master, patrocinando projetos redigidos por Daniel Vorcaro e recebendo mesada e mimos indefensáveis.



