
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Temendo uma nova catástrofe causada por um El Niño no segundo semestre, os municípios da Região Metropolitana terão um sistema próprio de monitoramento climático. Quem está encaminhando a criação do instrumento é a Granpal, associação que representa as prefeituras de Porto Alegre e cidades do entorno.
Segundo a entidade, a ferramenta reforça a rede de proteção já existente, em que os municípios recebem diariamente relatórios e alertas da Defesa Civil estadual. A ideia é que o sistema apresente dados mais aprofundados, que garantam maior previsibilidade e capacidade de prevenção às prefeituras.
— O sistema possibilita que cada município tenha seu meteorologista, seu hidrólogo, seus estudos preliminares mais apurados e mais detalhados. Com esse sistema de monitoramento, como é em Porto Alegre e em Guaíba, dá pra se trabalhar com mais previsibilidade. É mais profundo, dá para ter dados mais acupunturais — explica o presidente da Granpal e prefeito de Alvorada, Douglas Martello.
Na segunda-feira (25), Martello participou de reunião com representantes das defesas civis da Região Metropolitana e do Estado, além da Secretaria da Reconstrução. Além da ferramenta de monitoramento, o grupo tratou também da criação de uma governança metropolitana para integração e alinhamento das ações.
Um credenciamento será aberto nos próximos dias para empresas meteorológicas interessadas em prestar o serviço. A Granpal então irá habilitar os sistemas e cada município poderá aderir e fazer o monitoramento da sua cidade, com previsões estratégicas para prevenção, planejamento e resposta rápida para situações de emergência. A estimativa é de que cada município gaste cerca de R$ 4 mil mensais para aderir ao sistema.
Atualmente, apenas Porto Alegre, Canoas e Guaíba têm sistemas próprios para monitoramento do clima. Os outros 24 municípios da região que poderão aderir à ferramenta são dependentes de alertas mais abrangentes.
— Ficamos dependendo de terceiros pra receber os alertas, o que faz com que não tenhamos um diagnóstico mais preciso e não conseguimos trabalhar com prevenção. Com cada município tendo seu sistema, damos um passo adiante na proteção — disse Martello, que relatou a simpatia do Estado à medida.
Decreto preventivo
No mesmo encontro, o presidente da Granpal também sugeriu ao governo que emita um decreto preventivo de alerta climático diante do risco de eventos adversos no segundo semestre. Martello cita o exemplo de Santa Catarina, que na semana passada editou medida semelhante.
Com a antecipação, a ideia é mobilizar equipes municipais e estaduais para atuarem em medidas de prevenção em cada local. Além disso, seguindo o caso do Estado vizinho, permite aos governos fazer contratações preparatórias e direcionar recursos antes dos eventos extremos ocorrerem.
Segundo o prefeito de Alvorada, o Piratini analisará a proposta junto à Casa Civil. Em nota à coluna, a pasta afirmou que está tratando do tema e realizando reuniões internas e com a sociedade para a formatação de diretrizes. Além disso, deve ser agendada uma reunião nos próximos dias entre governos do Estado e municipais para focar em ações que possam reduzir potenciais efeitos do El Niño.



