
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Cautela é o sentimento que rege os entornos de Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Gabriel Souza (MDB) após a divulgação da pesquisa Quaest, na quinta-feira (30), na qual os indecisos são maioria em todos os cenários de primeiro turno. Para os três pré-candidatos ao Palácio Piratini, o principal desafio dos próximos meses é tornar-se conhecido do eleitor.
Nos cenários estimulados, em que uma lista com os nomes é apresentada ao entrevistado, Juliana está empatada tecnicamente com Zucco no primeiro turno (24% a 21%, respectivamente) e aparece à frente de todos os adversários no segundo, mas foi citada espontaneamente por apenas 4% do público. Também é da trabalhista o maior índice de rejeição: 35% respondeu que conhece, mas não votaria na neta de Leonel Brizola.
Na base do PDT, a avaliação é de que o resultado foi positivo, mas ainda há muito trabalho pela frente para reduzir a rejeição – apontada como reflexo do desconhecimento. Com o lançamento oficial da pré-campanha da frente unificada da esquerda, nesta sexta-feira (1º), a expectativa é de que Juliana passe a aparecer mais nas redes sociais e em caravanas pelo Interior, apresentando suas ideias para um eventual governo.
Zucco apostará na baixa rejeição (17% disseram que conhecem, mas não votariam nele) para cativar o eleitor indeciso. Mesmo antecipando a construção da chapa para meados de 2025, quando confirmou o Novo na aliança em torno de seu nome, o pré-candidato do PL é desconhecido por 60% do eleitorado.
Internamente, aliados indicam que a pesquisa Quaest não surpreendeu, e por isso está mantida a estratégia de percorrer o Estado ouvindo lideranças de diversos setores e se aprofundando nos problemas que preocupam os gaúchos. Zucco também deve se apegar à queda na aprovação do governo Eduardo Leite, que era 58% em agosto de 2025 e caiu para 51%, para defender a mudança na gestão estadual.
Mesmo sendo vice-governador desde 2023, 77% dos entrevistados responderam não conhecer Gabriel Souza, que alcançou apenas 6% na pesquisa estimulada de primeiro turno e perde nos cenários aventados para a segunda etapa. Integrantes do núcleo político de Gabriel julgam que o ambiente ainda é prematuro e reforçam a solidez da pré-candidatura do emedebista.
Como os demais postulantes, a tentativa de alavancar a chapa de MDB e PSD será tornar Gabriel conhecido do eleitor, se valendo do baixo índice de entrevistados que respondeu não votar no vice-governador mesmo o conhecendo (12%). O partido também se apega ao passado para confiar na vitória, lembrando que Germano Rigotto e José Ivo Sartori foram eleitos mesmo sem favoritismo nas pesquisas.
Nos bastidores dos três postulantes é unânime a compreensão de que, apesar das movimentações eleitorais terem sido antecipadas, os gaúchos ainda estão muito distantes da eleição. A tendência, à medida que o início da campanha, em agosto, se aproximar, é de que os eleitores passem a se vincular mais a um ou outro candidato e assim o resultado dos levantamentos apresentará um retrato mais fiel do futuro no Piratini.
Ficha técnica
A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 1.104 pessoas, com 16 anos ou mais, entre os dias 24 e 28 de abril. A margem de erro é de três pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O registro da pesquisa no TSE é RS-03000/2026.

