
Tem tantas pontas desamarradas a história das relações de Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que só a Polícia Federal tem como explicar os pontos obscuros. É o caso do financiamento do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Dark, no caso, não é escuro, mas poderia ser. É algo como “azarão”, aquele cavalo no qual ninguém aposta e que acaba vencendo a corrida.
As trocas de mensagens entre Flávio e Vorcaro tratam indiscutivelmente de dinheiro para financiamento do filme. Tanto é assim que Flávio pergunta ao banqueiro falido se gostaria de jantar com o ator que faz o papel de Bolsonaro, tudo em caráter reservado. E combinam o jantar na casa dele, Vorcaro.
Flávio emitiu nota e gravou um vídeo para dizer que era apenas um filho em busca de financiamento para um filme sobre a vida do pai. Seus aliados sustentam que não estava pedindo dinheiro, apenas cobrando o repasse de parcelas atrasadas de um contrato vigente. Vorcaro desembolsou quase R$ 62 milhões, o que já seria o filme de maior orçamento da história do cinema brasileiro.
Só o que o idealizador e roteirista do filme, Mário Frias, diz que não entrou dinheiro de Vorcaro na produção. O mesmo diz a produtora nos Estados Unidos, em nota encaminhada inicialmente ao blogueiro Paulo Figueiredo, amigo do peito de Eduardo Bolsonaro e seu parceiro de conspiração contra no Brasil junto ao governo de Donald Trump.
Quem está mentindo?
E se o dinheiro não foi para o filme, onde estará?
Sabe-se que o dinheiro foi encaminhado aos Estados Unidos para um fundo administrado por amigos de Eduardo Bolsonaro, um deles seu advogado. Esse detalhe levou a Polícia Federal a investigar se estaria sendo usado para financiar a boa vida de Eduardo e da família no Texas, que não é barata para um ex-deputado que não tem fonte de renda conhecida desde que teve o mandato cassado por excesso de faltas e, nos primeiros meses, estava em licença não-remunerada.
O resultado dessa investigação não é conhecido, mas a PF está fazendo o que fazem os detetives nos romances policiais: seguindo a trilha do dinheiro.





