
Não é correto dizer que Edegar Pretto desistiu da candidatura a governador. O que houve no PT do Rio Grande do Sul foi uma intervenção da direção nacional, que não deixou margem para a resistência. Bem que Pretto tentou resistir, mas foi patrolado pelo presidente Lula, que usou Edinho Silva como mensageiro, em combinação com líderes do próprio PT gaúcho favoráveis à aliança com o PDT.
Se Pretto se mantivesse irredutível, recairia sobre ele a culpa sobre eventual derrota na eleição e sobre qualquer resultado negativo para Lula no Rio Grande do Sul. O agora ex-candidato aceitou costurar o apoio dos partidos que estavam com ele, em um gesto de submissão ao desejo de Lula de ter o PDT ao seu lado, mas não prometeu a ninguém que aceitará ser vice de Juliana Brizola.
Se for obrigado a ir para o sacrifício pela segunda vez, poderá aceitar como um soldado que cumpre ordens de um superior, mas sem empolgação. Porque embora não se possa estocar votos, o fato de ter chegado muito perto do segundo turno em 2022 faz dele um forte candidato a deputado federal, com possibilidade de contribuir para aumentar o quociente eleitoral do PT. Não é qualquer um que tem um capital político de 1,7 milhão de votos numa eleição para governador.
Defensores da indicação de Pretto como vice alegam que ele poderia transferir esse capital para Juliana e que, por estar em terceiro lugar nas pesquisas, as intenções de votos se somariam. Há controvérsias. Primeiro, porque o eleitor médio vota no candidato (a) a governador (a), não no vice. Segundo, porque um homem ferido pode não ser o melhor companheiro de chapa em uma aliança imposta de cima para baixo.
Fechada a aliança, o desafio de Juliana será empolgar a base do PT que ameaça cruzar os braços na campanha. As palavras duras escritas nos últimos dias, incluindo as do manifesto lido na segunda-feira em defesa da candidatura de Pretto, serão usados pelos adversários. Publicações em redes sociais também, porque expõem as contradições de cada um.
De imediato, o PDT comemora a conquista do precioso tempo de TV dos partidos que entram na aliança arrastados pelo PT. A convivência dependerá da habilidade de cada um para lidar com as diferenças e esquecer as mágoas do passado, como Leonel Brizola esqueceu em 1998 quando aceitou ser vice de Lula e Fernando Henrique Cardoso se elegeu no primeiro turno.
Aliás
O PT nunca havia imposto a seus filiados uma aliança com outro partido no Rio Grande do Sul. O PDT fez isso em 1986, quando Aldo Pinto concorreu a governador, tendo Nelson Marchezan (PDS, sucessor da Arena) como candidato ao Senado.





