
Será muito difícil para Edegar Pretto escapar da candidatura a vice de Juliana Brizola (PDT), que não estava nos seus planos. Pretto vem sendo pressionado por diferentes líderes do PT com o argumento de que só ele pode pacificar o partido, depois da divisão entre os que queriam a aliança com o PDT e trabalhavam por ela nos bastidores e os que a rejeitavam publicamente. Esse apelo será reforçado na segunda-feira (13), na reunião do diretório estadual e, se não surtir efeito, o presidente Lula chamará o ex-presidente da Conab em Brasília e dirá que está dando a ele “uma missão”.
O grande temor de Lula e do PT é repetir 2022, quando ficou sem palanque no segundo turno no Rio Grande do Sul, porque Pretto concorreu a governador e ficou em terceiro lugar. Neste ano, a ordem da direção nacional é mover mundos e fundos para levar Juliana ao segundo turno. No encontro que teve com Lula em fevereiro, ela se comprometeu a trabalhar para dar esse palanque ao presidente.
Não que faltem outros nomes ao PT para a vaga de vice. O ex-deputado Henrique Fontana e o deputado estadual Miguel Rossetto poderiam ocupar a vaga sem enfrentar resistências. Com Pretto, o PT espera matar dois coelhos com uma cajadada só. De um lado, mostrar que a ala defensora da candidatura própria assimilou a ordem da direção nacional e trabalhará pela eleição de Juliana. Do outro, evitar que uma candidatura de Pretto a deputado federal “bagunce o jogo” de outros companheiros que já vinham trabalhando para conquistar uma cadeira na Câmara.
Para quem é de fora, parece pouco inteligente abrir mão de um possível puxador de votos que poderia ajudar o PT a manter as atuais seis cadeiras, mesmo com a saída de Paulo Pimenta. Internamente, a preocupação é justamente coma possibilidade de Pretto subtrair votos dos atuais deputados, e dos novos que entrarão na disputa, como Valdeci Oliveira e Laura Sitto.
Na eleição de 2022, o PT elegeu seis deputados federais, mas a distância entre a última a entrar, Denise Pessôa, e a primeira suplente, Reginete Bispo, é quilométrica. Denise fez 44.241 votos e Reginete menos da metade (19.728). Pimenta teve 223.109 – e esses votos estarão em disputa.
Articulador de bastidores
A construção da aliança com o PDT teve um articulador que, mesmo sem mandato, foi essencial para o desfecho. Trata-se de Thiago Braga, que disputou a presidência estadual do PT e fez somente 3% dos votos, defendendo a coligação com o PDT, mesmo que isso implicasse abrir mão da cabeça de chapa.
Apesar desse desempenho modesto na disputa interna, Thiago teve atuação estratégica na construção do acordo entre as siglas, conversando tanto com os líderes do PDT quanto com os petistas. Nas últimas semanas, vinha conversando diariamente com Edinho Silva e dando a letra aos gaúchos que resistiam à aliança, de que estavam perdendo tempo, porque a decisão seria nacional.
Thiago Braga trabalha em Brasília e foi um dos poucos petistas a defender a aliança, enquanto os parlamentares favoráveis evitavam declarações públicas.




