
Nada como o ano eleitoral para fazer brotarem medidas populares, que, dadas as circunstâncias, podem ser enquadradas como populistas. É o caso do perdão anunciado pelo governo Lula para as multas cobradas de quem passa nos pórticos dos pedágios eletrônicos e não paga a conta. A alegação do governo é de que o chamado free flow não foi devidamente divulgado e, portanto, deve-se partir do princípio de que quem deixou de pagar não o fez de má intenção.
É fato que usar a expressão free flow pode confundir os brasileiros que não entendem inglês – e que são maioria. De fato, a expressão "free" sugere que a passagem é livre, mas não se pode generalizar. Nos pórticos que operam em modo free flow no Rio Grande do Sul está escrito “pedágio eletrônico”. Antes de se chegar aos locais de cobrança há placas com o aviso de que logo ali há um ponto de cobrança.
Se o governo dissesse que não há como separar os desinformados dos malandros, que não pagam que não concordam com a tarifa, até daria para engolir – sem justificar. Mas perdoar as multas com a alegação de que os usuários não foram devidamente informados é populismo em ano eleitoral.
Óbvio que quem tiver a multa perdoada vai ficar contente, mas os usuários conscientes, que entendem a cobrança de pedágio como o pagamento por um serviço que os governos não conseguem fazer, se incomodam. É o mesmo incômodo que têm os empresários que recolhem os impostos corretamente e volta e meia veem os maus pagadores beneficiados por uma anistia, chamada popularmente de Refis.
No mundo todo, o pedágio eletrônico é uma realidade. Os usuários sabem que precisam ter uma TAG de leitura digital, ou terão de pagar a conta de outra forma. Em Portugal, é preciso ir a uma agência dos Correios, mas o mais comum é usar a TAG, que no Brasil vem sendo oferecida pelos bancos como cortesia, sem pagamento de taxa de manutenção.


