
O conselho dado pelo presidente Lula ao ministro Alexandre de Moraes, para escapar das acusações de envolvimento indecoroso com o dono do Banco Master, Alexandre Vorcaro, só serve até a eleição de outubro. Dependendo de quem for eleito senador nesta eleição que renovará dois terços da Casa, de nada adiantará Xandão se defender dizendo que nunca julgou processo envolvendo o Master e que não se envolve nos negócios da esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. O Senado de hoje, presidido por Davi Alcolumbre, não tem disposição para aprovar o impeachment de Moraes ou de Dias Toffoli, outro ministro envolvido até o pescoço com Vorcaro.
A composição do Senado a partir de 2027 é uma incógnita. Com duas vagas em disputa nas 27 unidades da federação e com a direita fortalecida, é provável a eleição de um presidente disposto a comprar briga com o Supremo Tribunal Federal e até a se vingar de Moraes. O impeachment é um processo essencialmente político, que precisa de uma motivação inicial, mas na hora do voto o que faz diferença é ter maioria. E se for um Senado hostil a Moraes, não quererá saber que ele não advoga há 15 anos e que o grosso da renda familiar vem do escritório de Viviane e dos Filhos.
Entre Toffoli e Moraes, difícil é saber quem está mais encrencado. Viajar nos aviões de Vorcaro os dois viajaram. Um tem as impressões digitais no negócio do resort Tayayá, o outro um pagamento de R$ 80 milhões (segundo dados da Receita Federal), feito pelo Master a Viviane. E não dá para dizer “eu não sabia”, porque R$ 80 milhões não são R$ 8 mil. É um valor considerado anormal para receber de um cliente só, sem ter um trabalho que justifique. E há também as mensagens de Vorcaro no WhatsApp, pouco antes de ser preso, com respostas que se autodestroem depois de lidas, o que impossibilita saber o que foi dito pelo ministro.
A diferença entre os dois ministros é que Moraes fez mais inimigos do que Toffoli ao longo da vida pública e comprou uma briga (a da condenação de Jair Bolsonaro e seu grupo por tentativa de golpe) na qual o colega não se envolveu, porque era da outra turma no Supremo. Há ainda o caso de Kássio Nunes Marques, cujo filho recém aprovado na prova do OAB prestou consultoria ao Master, mas esse não é o alvo principal no momento.
Não será surpresa se Toffoli e Moraes pedirem para sair do Supremo se o resultado da eleição no Senado indicar risco de impeachment. Nenhum deles tem perfil para aguentar, de cabeça erguida, o que a então presidente Dilma Rousseff aguentou em 2016.




