
O "sim" de Edegar Pretto para ser o vice de Juliana Brizola (PDT) é uma tentativa da cúpula do PT de convencer os petistas renitentes a engolirem a aliança com o PDT, repudiada em manifestações públicas e nos bastidores. Não será fácil, depois de tantos militantes terem ameaçado cruzar os braços, descontentes com a imposição da direção nacional, apoiada por caciques que trabalharam nos bastidores.
Pretto não queria ser vice. Aceitou, como soldado obediente, correndo o risco de ficar os próximos anos sem mandato. Se fosse candidato a deputado federal, teria grandes chances de ser eleito, graças ao capital eleitoral que conquistou em 2022, quando ficou em terceiro lugar e, por pouco, não tirou Eduardo Leite do segundo turno.
PT e PDT se reúnem nesta sexta-feira (17) às 9h na sede do PT. Juliana Brizola deve comparecer. Na sequência, às 11h, também na sede do Partido dos Trabalhadores, haverá uma reunião com os partidos que compõem o grupo liderado pelo PT.
Parte do PT pressionou Pretto a ser vice para não desorganizar os arranjos políticos feitos para a eleição de deputados federais com a saída de Paulo Pimenta, o mais votado da bancada, que será candidato a senador.
A resistência à aliança não ocorre só no PT. Parte do PDT preferia se aliar a Gabriel Souza (MDB), já que participou dos dois governos de Eduardo Leite. É essa participação que incomoda os petistas e que está expressa no documento de 21 pontos divulgado pelo partido sobre a aliança.
O PT gaúcho exige que o PDT "compre" as propostas que Edegar Pretto defenderia na campanha e que fazem terra arrasada das políticas de Eduardo Leite, consideradas neoliberais.
Em carta aberta aos militantes do Partido dos Trabalhadores (leia abaixo na íntegra), Pretto aponta que aceita a tarefa sem abrir mão das suas convicções e registra a necessidade de a chapa fazer uma defesa clara da reeleição do presidente Lula e de apresentar um novo projeto para o Rio Grande do Sul.
A prioridade do PT é a eleição de Lula — e isso está dito e escrito repetidas vezes. O problema de Lula em um eventual segundo turno é o mesmo de Juliana, se ela se classificar para a uma final com Zucco: onde buscar votos?
Na eleição nacional, Lula juntou no primeiro turno todas as forças que estão alinhadas com seu governo. Enquanto a direita tem meia dúzia de candidatos a presidente, a esquerda só tem Lula. No Rio Grande do Sul, Juliana não terá um aliado para levantar a bola nos debates — Gabriel travará com ela uma disputa direta pela vaga no segundo turno, Zucco será o opositor ideológico direto e Marcelo Maranata (PSDB) entra na disputa disposto a correr por fora.



