
Os quatro pré-candidatos a presidente que estiveram em Porto Alegre entre quinta-feira e sábado falaram mais de Lula e do PT do que das suas propostas para o caso de serem eleitos. Com pequenas variações, Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Aldo Rebelo (DC) falaram em tirar Lula do poder, varrer Lula do Palácio Planalto e derrotar o PT. O mantra seria repetido por Renan Santos (Missão), se não fosse o único nome da direita ausente do Fórum da Liberdade.
O que a passagem dos quatro pelo Rio Grande do Sul evidenciou é que se desenha um cenário de “todos contra Lula” no segundo turno, se a decisão ficar para o final de outubro, não importando qual deles se classifique para enfrentar o presidente da República. Flávio Bolsonaro chegou a dizer no sábado que vencerá no primeiro turno, mas se isso não ocorrer não tem problema, porque todos os demais candidatos estarão com ele.
Como é improvável que surja um candidato de centro-esquerda, Lula não terá com quem contar.
Para além dos discursos dos adversários, que são óbvios, Lula e seus aliados têm bons motivos para se preocupar, apesar das alianças regionais informais com partidos como o PSD e o MDB e do fato de a maioria dos eleitores não ter partido.
A pesquisa Datafolha divulgada no sábado (11) mostra que a cinco meses e meio da eleição a vantagem que Lula detinha está se exaurindo. No primeiro turno, ele está tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro, um candidato cuja única credencial é ser filho de Jair Bolsonaro. No segundo, mostra o Datafolha, empataria com Flávio, Caiado e Zema.
Na campanha, serão todos contra Lula no horário eleitoral, nos debates e nas redes sociais. Isso não significa decretar por antecipação a derrota do presidente, mas reconhecer que seu desafio é muito maior do que nas três eleições em que foi vitorioso. O resultado vai depender da economia e, naturalmente, de como o eleitor interpretar a campanha dos concorrentes.




