
As estatísticas da violência deveriam dar mais ênfase aos crimes de trânsito, equivocadamente chamados de acidentes, mesmo quando os motoristas infratores assumem o risco de matar. Não há dia em que os repórteres de trânsito não registrem mortes nas ruas, estradas vicinais ou rodovias. Que efeito essas notícias causam na população em geral? Aparentemente, nenhum, a menos que as vítimas sejam da família ou minimamente famosas.
A notícia da morte da jornalista Alice Ribeiro e do cinegrafista Rodrigo Lapa, em Belo Horizonte, esteve entre as mais lidas em GZH, apesar de o acidente ter ocorrido em Minas Gerais. Rodrigo era porto-alegrense, mas só isso não explica o interesse dos gaúchos pela informação. O estranho é que não causa a mesma comoção as mortes diárias de motociclistas, motoristas, passageiros e pedestres atropelados. É como se as mortes no trânsito fossem naturalizadas, mesmo quando deixam bebês órfãos e famílias destroçadas.
Você deve ter percebido que as campanhas de conscientização, como as do Detran e da Fundação Thiago Gonzaga, uma ONG salvadora de vidas, não estão surtindo o efeito desejado. No Rio Grande do Sul, o número de mortos até caiu em 2025, na comparação com 2024. No ano passado, o trânsito matou 1.540 pessoas no Estado, uma redução de 6,78% em comparação com as 1.652 de 2024, mais ainda assim um número com o qual não podemos nos conformar.
A segurança no trânsito faz parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas, mas até nisso a ONU está pregando no deserto. No Brasil, o trânsito mata mais do que as guerras no mundo. São cerca de 40 mil mortes por ano, mas o número global ou as 120 vidas perdidas em um só dia não comovem tanto quanto a queda de um avião com quatro pessoas a bordo.
Daqui a pouco vem a campanha eleitoral e, outra vez, a violência no trânsito será um não assunto, mesmo que muitas vezes as causas sejam as estradas deterioradas, a falta de sinalização e a impunidade dos infratores. Não se espera que candidatos prometam, de forma demagógica, acabar com as mortes no trânsito, mas que se disponham a usar o dinheiro das multas para campanhas de conscientização.
ALIÁS
Não será surpresa se em 2026 o número de mortos no trânsito aumentar com as medidas demagógicas adotadas pelo governo federal para facilitar a aprovação nas prova para a carteira de motorista.




