
A viagem do presidente Lula à Europa, que começou pela Espanha e terminou em Portugal, depois de participar da Feira de Hannover, na Alemanha, teve clima amistoso com os chefes de Estado e de governo com quem se encontrou. Em parte, porque o Brasil mantém excelentes relações com os três países, mas, também, porque a Europa está em busca de novos parceiros comerciais depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter hostilizado os parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que não quiseram aderir à guerra contra o Irã.
O fato de ter conseguido destravar o acordo do Mercosul, depois de três décadas, contou pontos a favor do presidente brasileiro neste momento em que todos querem reduzir a dependência dos Estados Unidos, pelo comportamento imprevisível de Trump.
Com o presidente de governo da Espanha, Pedro Sánchez, o primeiro a questionar a aventura bélica de Trump, o presidente Lula tem afinidade ideológica antiga. Os dois se encontraram em Barcelona e assinaram 15 acordos de cooperação em áreas como minerais críticos, tecnologia e segurança.
Sánchez disse que Brasil e Espanha têm em comum a defesa da democracia, a cooperação internacional, o respeito ao direito internacional, especialmente aos direitos humanos e paz. Lula defendeu o multilateralismo e a soberania digital, destacou a preocupação com o "ambiente tóxico" do mundo virtual e com a nova corrida armamentista, discurso que repetiria na Alemanha e em Portugal.
Em Hannover, o presidente brasileiro chegou com a credencial de ser o Brasil o país parceiro da tradicional feira industrial neste ano, além de os dois países manterem relações comerciais e diplomáticas produtivas. Antes da abertura da feira, Lula foi recebido com honras militares no palácio de Herrenhausen, antiga residência dos reis de Hannover, pelo chanceler Friedrich Merz, tratamento dispensado a poucos governantes.
De acordo com a Deutsche Welle, oito ministros alemães se deslocaram de Berlim para Hannover para se encontrar com membros do governo Lula. A visita terminou com a assinatura de acordos comerciais.
Última etapa da viagem, a passagem por Lisboa teve encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente recém-empossado António José Seguro. O presidente brasileiro repetiu os discursos em favor da democracia e de mudanças no Conselho de Segurança da ONU e agradeceu o empenho dos portugueses na concretização do acordo Mercosul-União Europeia.
Em tom de ironia, disse que Trump deveria “ganhar logo o Prêmio Nobel da Paz para acabar com as guerras no mundo”.



