
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Fracassou a tentativa do IPE Saúde de credenciar médicos para 10.460 vagas para atender seus mais de 800 mil segurados. Mesmo com a prorrogação das inscrições, a pedido das entidades de classe, somente 3.342 médicos foram homologados para prestar atendimentos pelo convênio estadual, entre profissionais novos e os que já atendiam pelo plano e fizeram recredenciamento (confira a lista completa abaixo).
Os nomes foram publicados no Diário Oficial do Estado de segunda-feira (20), e ainda precisam ser habilitados e credenciados para que possam atender pacientes. Pouco mais da metade dos contemplados está na categoria pessoa física, em que o valor pago por consulta é menor (R$ 74,40) na comparação com os médicos inscritos como pessoa jurídica (R$ 108) ou com outros planos de saúde privados.
As mais de 10 mil vagas estavam abertas a profissionais de 42 especialidades para atendimento em 356 municípios. O vice-presidente do Cremers, Eduardo Neubarth Trindade, atribui o desinteresse dos médicos a dois fatores. Primeiro, a burocracia para fazer o credenciamento, mesmo para os médicos que atendem há décadas dos segurados do IPE Saúde. Segundo, o valor pago pelos procedimentos, considerados muito baixos.
– O valor da consulta até aumentou e está semelhante a de outros planos, mas os procedimentos continuam fora da realidade – lamenta Trindade.
O presidente do Sindicato Médico do RS (Simers), Marcelo Matias, também lamentou o que chamou de "resultado ruim", e reclamou do excesso de burocracia para o credenciamento dos profissionais, em especial dos que já atendiam pelo convênio.
— A realidade é que houve dificuldade grande dos médicos daquilo que foi colocado em relação ao processo seletivo. Deveríamos tentar facilitar o credenciamento dos médicos e dar garantia de credenciamento de longo prazo.
Em março, o IPE divulgou que 6.891 médicos se inscreveram no programa Mais Assistência. O número caiu pela metade com a lista de homologados. O convênio explica que a diferença se dá, provavelmente, por problemas na documentação.
Até a próxima terça-feira (28), os médicos que não constam na lista podem apresentar recursos, que serão julgados até o dia 6 de maio. A lista definitiva será anunciada em 11 de maio.
Em nota enviada à coluna, o IPE classificou a adesão registrada no primeiro ciclo como "muito satisfatória", pois ainda pode ultrapassar mais da metade das vagas ofertadas. Além disso, o convênio esclarece que cada inscrição publicada no DOE pode computar mais de uma vaga, já que "um único profissional pode atender em até três locais e em mais de uma especialidade".
"A adesão reflete a confiança dos médicos em um modelo que garante previsibilidade, segurança contratual e remuneração compatível com o mercado", diz trecho da nota.
Desde a abertura do edital, no final do ano passado, o prazo para inscrição para o edital sofreu alguns adiamentos, para garantir que mais profissionais participassem do processo, após pedidos das entidades médicas. Ainda segundo o convênio, um segundo ciclo de credenciamento está previsto para se iniciar ainda em 2026, com a oferta das vagas remanescentes.
Atualmente, 4.999 médicos estão credenciados diretamente no IPE Saúde, além de outros profissionais que atendem por meio de 247 hospitais e 775 clínicas especializadas.



