
Sem nenhum ministro no governo Lula desde que Paulo Pimenta foi demitido da Secretaria de Comunicação Social, o Rio Grande do Sul vai para mais uma eleição sem ter candidato a presidente ou vice, com seus líderes políticos relegados ao papel de coadjuvantes. O único que tentou furar essa bolha foi o governador Eduardo Leite, trocando de partido para tentar se viabilizar como candidato a presidente. Levou um “carão” do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e optou por cumprir o mandato até o fim, o que significa quatro anos sem mandato e, talvez, a troca da política por uma carreira de executivo no setor privado.
Não é de hoje que o Rio Grande do Sul vem perdendo prestígio em Brasília. A falta de ministros na Esplanada é consequência da mesma dificuldade que outros partidos tradicionais têm de renovar seus líderes.
O PT passou tantos anos orbitando em torno de Olívio Dutra, Tarso Genro, Paulo Paim e Raul Pont que não conseguiu fazer a transição geracional. Tanto não conseguiu que Lula e a direção nacional, prevendo o insucesso, abortaram a candidatura de Edegar Pretto e forçaram uma aliança com o PDT, um partido menor em número de votos, de deputados federais e estaduais e de filiados. A aposta do PDT em Juliana Brizola, agora apoiada pelo PT, é também uma tentativa de aumentar a bancada e escapar da cláusula de barreira.
O MDB também. Quem já teve Pedro Simon e José Fogaça no Senado vê a bancada federal minguar a cada eleição e não consegue produzir um candidato viável ao Senado. Não teve em 2018 nem em 2022 e agora lançou o ex-governador Germano Rigotto para tentar recuperar terreno. Na eleição para deputado federal, corre o risco de ser atropelado por líderes religiosos ou influenciadores digitais sem qualquer trabalho na política.
Já em 2022 essa indigência foi visível na eleição para o Senado. Os gaúchos elegeram um estrangeiro – e aqui não se trata de xenofobia. O senador Hamilton Mourão nasceu no Rio Grande do Sul mas passou a maior parte da vida adulta em outros Estados. É mais próximo do Rio de Janeiro do que do Estado pelo qual foi eleito.
O Progressistas (PP) virou uma constelação familiar em torno dos Covatti, que terão candidatos a deputado federal, estadual (dois) e a vice-governadora. O partido fechou com Luciano Zucco (PL) sem tentar ser cabeça de chapa, convencido do seu papel secundário e conformado com os bons resultados nas eleições municipais, dividindo com o MDB a liderança em número de prefeitos e vereadores.
O PL, que cresceu na esteira do bolsonarismo, exibe musculatura para conquistar o Piratini com Luciano Zucco, mas ainda é bolsonaro-dependente. O Novo, nascido para ser a novidade, virou um puxadinho do PL e, a se manter a candidatura de Romeu Zema a presidente, terá um dilema no Rio Grande do Sul, porque está coligado com PL e PP, cujo candidato a presidente é Flávio Bolsonaro.





