
Com o Salão de Convenções da Fiergs lotado, o pré-candidato do PSD a presidente, Ronaldo Caiado, fez um convite público ao governador Eduardo Leite para ser seu ministro, caso seja eleito em outubro.
Repetiu o que dissera em reunião com os líderes do PSD, com quem se encontrou no Palácio Piratini antes do almoço, sem a presença de Leite, que ficara retido em São Paulo por causa da pane que atrasou a saída dos aviões durante a manhã.
— Se depender de mim, Eduardo Leite não vai ter o ano sabático que ele disse que fará no ano que vem. Se eu for eleito, quero Leite na Esplanada dos Ministérios — disse Caiado.
Mais tarde, ao iniciar a rodada de perguntas, o jornalista Tulio Milman perguntou para qual ministério Leite seria convidado. Caiado respondeu que seria indelicado indicar a pasta sem falar com o governador, com quem pretendia se encontrar ao longo do dia.

Na palestra que fez para a direção e empresários da indústria, inaugurando o ciclo de encontro com os presidenciáveis, Caiado chamou o presidente Claudio Bier de “amigo” e impressionou os convidados pela forma e pelo conteúdo. Com voz de locutor, chamou atenção dos presentes no encontro pela sua experiência como gestor público e parlamentar e repetiu o que já dissera em entrevista à Rádio Gaúcha — que não se aprende a governar sentado na cadeira de presidente, nem se conhece o Congresso sem ter convivido com parlamentares.
— O candidato precisa ter autoridade moral. Tenho certeza de que no segundo turno qualquer um de nós ganha do Lula, mas é preciso saber quem tem condições de governar.
A fala pode ser interpretada como uma indireta ao pré-candidato Flavio Bolsonaro (PL), embora Caiado não tenha citado o nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O discurso teve vários pontos de conexão com o do ex-governador de Minas Romeu Zema, pré-candidato do Novo, seja pelas críticas ao PT e ao presidente Lula, seja pela defesa de mudanças na escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
Sem falar em prisão de ministros, como fizera Zema pela manhã na Rádio Gaúcha, Caiado disse que “o Supremo vai ter que cortar na carne” e que se não o fizer “a bancada a ser eleita para o Senado fará”. Os dois defendem a exigência de idade mínima para ministros do STF (Zema sugere 55 anos, Caiado para em 60), para que a indicação seja o ápice da carreira de um magistrado ou de um jurista.
Caiado criticou a reforma tributária que, na sua avaliação, deixará os Estados e municípios sem autonomia. Disse que, se eleito, vai propor uma nova reforma tributária, alterando o que considera centralização excessiva da União.
Ao pedido de Bier para que lute pela criação de um fundo de desenvolvimento das regiões Sul e Sudeste, cortou qualquer ilusão. Explicou que essa proposta é inviável porque os fundos já existentes serão extintos até 2030 com a reforma tributária, e não há espaço para a criação de novos.





