
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Tão logo o pré-candidato do PT a governador, Edegar Pretto, publicou nas redes uma foto com o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, o assunto passou a repercutir entre os apoiadores de Juliana Brizola (PDT). Um comentário de Edinho na publicação — acenando ao PDT, a quem chamou de "aliado histórico", e defendendo "palanque único" para a reeleição de Lula no Rio Grande do Sul — alvoroçou os pedetistas que torcem por uma aliança de esquerda encabeçada por Juliana.
Edinho e Edegar se reuniram por cerca de uma hora no final da manhã desta segunda-feira (9), na sede nacional do PT. O encontro, que não foi o primeiro da dupla, serviu para o gaúcho atualizar o dirigente nacional do andamento de sua campanha, que recentemente lançou as caravanas que vão percorrer o Estado.
Ao presidente do partido, Edegar reforçou seu planejamento e intenção de liderar o projeto petista para a sucessão do Piratini. Os dois concordaram em não fechar portas para o PDT. Enquanto Edegar vê em uma frente unificada a chance de fortalecer sua candidatura para chegar ao segundo turno, Edinho sinaliza interesse na aliança com os pedetistas para ampliar o palanque de Lula no Estado.
No entorno de Edegar, todos nutrem otimismo com a candidatura petista e não vislumbram mudança de rota a curto prazo. As negociações entre PT e PDT são conduzidas pelos presidentes estaduais, Valdeci Oliveira e Romildo Bolzan, respectivamente, sob os olhares atentos de Brasília. Na capital nacional, o líder pedetista, Carlos Lupi, insiste que Lula respalde Juliana, em troca do apoio em quase todos os Estados onde o PT terá candidato a governador.
O burburinho nos bastidores de que Edegar abriria mão cresceu nos últimos dias, mas, segundo líderes do PT, não passa de boato. Edegar está se organizando para deixar a presidência da Conab até o final de março, a partir de quando poderá se dedicar às caravanas que vão percorrer o Interior na construção do plano de governo.
O roteiro do movimento intitulado "Levanta Rio Grande" começa na sexta-feira (13), em Palmeira das Missões, e se estende até julho. O processo de elaborar o documento será conduzido pelo deputado Pepe Vargas.
Pelo lado petista, a previsão é de que as conversas com o PDT se estendam até o período próximo às convenções. Edegar fala em manter uma "mesa permanente" de diálogo, mas transfere a responsabilidade de decisão para a direção estadual.
— A pré-candidatura está muito bem consolidada. Reafirmei ao presidente Edinho nosso trabalho de ter o PDT junto conosco, pelo nosso compromisso de fortalecer o palanque de Lula. Vamos manter diálogo até o limite. Temos até a convenção, nosso empenho vai ser até o final — disse Edegar à coluna.
PDT tem pressa
Após a sinalização do PT, o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan, cobrou celeridade na tomada de decisão. Para o dirigente, a indefinição gera insegurança e insatisfação na base, que anseia por um acordo.
— Todo mundo espera que esse grande acordo aconteça, mas está demorando demais. Em não acontecendo, tem que se definir de uma vez. Feito o acordo, está pronto, selado, todo mundo na unidade, tudo certo. Se demorar muito, acaba criando inseguranças, por isso acho que esse processo tem que se acelerar — defendeu.
Romildo aguarda uma sinalização vinda de Brasília, do presidente nacional Carlos Lupi, para avançar nas articulações em nível estadual.
— Lupi reitera confiança de que isso vá acontecer, mas não veio definição de lá; nem do PT, nem do PDT. Existe uma conversa de encaminhamento, mas um acordo fechado e definitivo, ainda não – garantiu.
Aliás
Nesta terça-feira (10), Valdeci deve conversar com Romildo para fazer uma avaliação do cenário, e então devem marcar uma reunião para avançar em direção a uma aliança na eleição ao Piratini. A rodada estava prevista para acontecer após o Carnaval, mas os dois decidiram adiar para não correr o risco de constranger Edegar ou Juliana.






