
Casamento forçado não costuma dar frutos positivos, ainda mais quando o clima é de desconfiança entre as famílias. Essa premissa vale para a construção de alianças políticas em geral e para a tentativa de juntar PT e PDT no primeiro turno da eleição no Rio Grande do Sul.
Só uma parte do PT acredita ser vantajoso entregar a cabeça de chapa ao PDT, que tem Juliana Brizola como pré-candidata — e não é nem por pensar no governo do Estado. São os que compraram o discurso do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, de que sem essa contrapartida o presidente Lula não terá o apoio do partido. Para esse grupo, o que interessa é uma vitória ampla de Lula no Rio Grande do Sul, onde o bolsonarismo é forte.
O lado que defende a manutenção da candidatura de Edegar Pretto está convencido de que ele é mais competitivo do que Juliana, até porque quase chegou ao segundo turno em 2022, disputando com ninguém menos do que Eduardo Leite, candidato à reeleição. Os líderes do mesmo grupo lembram que na eleição para a prefeitura de Porto Alegre, em 2024, Juliana ficou fora do segundo turno mesmo disputando com o prefeito Sebastião Melo, desgastado pela enchente, e com Maria do Rosário, campeã de rejeição.
Em uma disputa sem candidatos carismáticos, como tende a ser a de 2026, não seria bom negócio entregar o jogo no primeiro tempo.
É fato que as pesquisas mostram Luciano Zucco (PL) consolidado na primeira posição, mas a diferença não é significativa a ponto de se imaginar uma vitória já no primeiro turno. Tentar antecipar o segundo turno, tirando Juliana ou Pretto do jogo, pode ser benéfico para Zucco.
A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta semana pelo Correio do Povo traduz em números o raciocínio de que a migração dos votos de Pretto para Juliana não é automática, e vice-versa.
No cenário em que Juliana e Pretto aparecem como candidatos, os dois somam 43%. Zucco tem 31%, Juliana, 24%, Pretto, 19% e Gabriel Souza (MDB) 13%. No cenário sem Pretto, que seria o PT apoiando Juliana, Zucco sobe para 35% e ela fica em 30% e Gabriel vai a 16%. Sem Juliana, Pretto passa para 27%, ainda assim atrás de Zucco, que vai a 36%. E Gabriel chega a 17%.
No segundo turno, Zucco teria 40% e Juliana, 37%, o que significa empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Com Pretto, a vantagem de Zucco vai a 10 pontos (43% a 33%). O Real Time Big Data ouviu 1.500 eleitores entre os dias 14 e 16 de março e não fez simulações de segundo turno com Gabriel Souza.
Com todas as ressalvas que precisam ser feitas às pesquisas a esta altura do campeonato, com o cenário indefinido, a Real Time não dá aos petistas ligados a Pretto o conforto necessário para jogar a toalha. O grupo que defende a candidatura única quer evitar que o PDT feche com Gabriel, fortalecendo a eventual candidatura de Eduardo Leite (PSD) ao Senado. A disputa na casa legislativa é uma prioridade da cúpula nacional do PT, que aposta em Manuela D’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT).






