
O jornalista Gabriel Jacobsen colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
A foto do presidente nacional do PT, Edinho Silva, ao lado de Edegar Pretto — que incendiou as articulações da centro-esquerda no Rio Grande do Sul — é explicada em termos bem diferentes pelos dois pré-candidatos envolvidos. Enquanto Edegar mantém o diálogo aberto e entende a publicação como uma sinalização, Juliana Brizola (PDT) avalia que a imagem é definitiva para o futuro eleitoral.
Na postagem, o presidente nacional do PT agradece o “companheiro Edegar Pretto pela capacidade de diálogo e entendimento em prol da unidade”, chama o PDT de "aliado histórico" e diz que ter “um palanque único no Rio Grande do Sul é fundamental para a reeleição do presidente Lula”.
Para Juliana, a manifestação de Edinho indica que o PT decidiu abrir mão da cabeça de chapa e apoiar o nome dela para liderar a frente de centro-esquerda no Rio Grande do Sul.
— Eu tenho certeza de que o PT vai me apoiar. É uma construção que aparece na postagem do Edinho. E não é parabéns para mim, é para a conjuntura. Terei o maior orgulho de ter o apoio do PT — disse Juliana, que acrescentou:
— Eu acredito que, depois dessa foto, será um ajeitar das melancias no PT gaúcho. Eu estou feliz. É uma aliança inédita e com muita viabilidade, sobretudo no segundo turno — ampliou Juliana.
Diálogo sim, mas nada definido
Pretto, por sua vez, diz que a conversa com Edinho Silva teve o objetivo de manter vivas as conversas para que o PDT integre a chapa liderada pelo PT.
— O que postamos ali foi nossa disposição. Nós não encerramos as conversas com o PDT para termos um palanque único no Estado. Queremos ter o PDT conosco — disse Pretto.
Pretto acrescenta que o nome do cabeça de chapa deve representar uma oposição ao governo Leite — do qual o PDT integra a base aliada:
— O que caracteriza esse palanque de Lula no Rio Grande do Sul? Primeiro, que tenha uma defesa firme do governo Lula. E segundo queremos um palanque que represente um projeto novo para o nosso Estado. Somos oposição ao atual governo estadual — disse Pretto.
A velocidade para definição do tema também é diferente entre pedetistas e petistas. Sem nenhuma aliança formada até aqui, o PDT gaúcho espera uma definição de ter o PT como vice no curto prazo. Já o PT, que agregou cinco partidos no entorno de Pretto, espera estender as conversas pelo tempo que for preciso até que o PDT integre a chapa liderada pelos petistas.




