
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Ao contrário das aceleradas articulações para a disputa pelo Palácio Piratini, que se iniciaram ainda no primeiro semestre de 2025, a janela partidária começou mais tímida. Com apenas duas trocas oficializadas desde o início do período, em 5 de março, a tendência é de que a maioria das movimentações fique para a última semana do mês. O ciclo se estende até 3 de abril, data-limite para que os parlamentares mudem de sigla por justa causa, sem penalização.
Até agora, o deputado estadual Claudio Branchieri migrou do Podemos para o PL — acompanhando o conterrâneo de Caxias do Sul Maurício Marcon, deputado federal que fez o mesmo movimento no início do ano, com o aval da antiga legenda —, e Kaká D'avila deixou o PSDB rumo ao Podemos.
Após rusgas com a direção tucana, o deputado Professor Valdir Bonatto se antecipou à janela e assinou ficha de filiação no PSD, no início de fevereiro. Como ele não teve o aval do PSDB, a direção estadual reivindicou a cadeira na Assembleia e aguarda decisão na Justiça Eleitoral para dar lugar à segunda suplente do partido, Zilá Breitenbach — já que Jessé Sangalli, o primeiro da fila, migrou para o PL em 2024 e perdeu a vaga.
O PSD, inclusive, deve ser o destino de outros seis parlamentares. Os três tucanos restantes na bancada — Nadine Anflor, Neri, o Carteiro e Pedro Pereira — já têm alinhavada a troca de sigla, reproduzindo a mudança feita pelo governador Eduardo Leite no ano passado. É o mesmo caminho que será adotado pelo deputado federal Lucas Redecker.
Insatisfeitos com o rumo tomado pelo conturbado PSB — que mudou de presidente recentemente e, na quinta-feira (12), fechou aliança com o PT para a eleição estadual —, os deputados Heitor Schuch (federal) e Elton Weber (estadual) estão de saída, mas ainda não decidiram para onde irão.
Schuch diz que só irá se manifestar sobre o futuro no dia 19 — a data antecede o ato de filiações do PSD, marcado para o dia 21, que deve ser o destino dos dois atuais socialistas. Será neste mesmo evento que os tucanos assinarão ficha no partido do governador, e há expectativa de que Leite possa aproveitar a ocasião para indicar se deixará o Piratini ou não, e a que cargo será candidato.
A sete chaves
A deputada federal Any Ortiz, atualmente no Cidadania, tem acerto alinhavado com o Progressistas. No começo de fevereiro, ela posou para foto de mãos dadas com os presidentes nacional, Ciro Nogueira, e estadual, Covatti Filho, e o deputado Arthur Lira.
A troca de partido deve ser oficializada em evento de filiação do PP, que está sendo articulado para ocorrer entre os dias 28 e 29 de março. Na ocasião, a legenda planeja anunciar Any e outros nomes que Covattinho diz estar negociando, mas guarda a sete chaves.
Também há dúvidas sobre o futuro da deputada estadual Bruna Rodrigues, que estaria desconfortável no PCdoB. Depois de ganhar visibilidade por encampar a pauta dos feminicídios e articular 51 deputados em torno do pedido para a recriação da Secretaria da Mulher — acatado por Leite —, Bruna avalia convites de PSB, PDT e Rede.
Em nota, o presidente estadual do PCdoB, Edison Puchalski, afastou as possibilidades de saída e afirmou que o partido trabalhará pela reeleição de Bruna e da deputada federal Daiana Santos.
Indefinidos
Na bancada do União Brasil, que está prestes a confirmar federação com o PP, Thiago Duarte avalia um retorno ao PDT e Aloísio Classmann tem convites de PSD e Republicanos.
Já o PRD, sigla com pequena estrutura no Estado, perderá seu único deputado estadual, Elizandro Sabino, que deve filiar-se ao Republicanos.




