
O fato mais relevante no recuo anunciado pelo governo de Eduardo Leite nesta terça-feira (3) não é a redução da tarifa do pedágio do Bloco 2 de rodovias de R$ 0,19 para R$ 0,18, o que resulta numa redução de R$ 2,79 a cada 100 quilômetros. A informação de maior impacto é que o governo suspendeu o leilão marcado para 13 de março, a fim de ajustar o edital às recomendações do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que têm como consequência essa redução de R$ 0,01 por quilômetro.
O governo vinha dizendo que poderia fazer ajustes no projeto do Bloco 1, cujo edital ainda não foi publicado, mas não mudaria o Bloco 2 para não atrasar o cronograma. Esse argumento caiu por terra.
O cronograma, que já estava atrasado por causa da enchente, agora corre o risco de ficar comprometido pelo calendário eleitoral. Não que seja proibido fazer concessões rodoviárias no ano da eleição, mas porque o próprio governador pode renunciar ao mandato no dia 4 de abril, para ser candidato, e o vice-governador Gabriel Souza terá de levar adiante os projetos polêmicos.
Leite sabe que os pedágios são impopulares, mas tem convicção de que vale a pena brigar por esse modelo, dado que o Estado não tem dinheiro para os investimentos necessários em rodovias. Por isso sustenta que não vai desistir e que, como o argumento para instalar a CPI eram as recomendações do TCE, ao atendê-las a comissão teria perdido a razão de ser.
Leite esquece, porém, que as CPIs são políticas e no ano eleitoral servem de palanque para os adversários. No caso dos pedágios, esquerda e direita se uniram contra a proposta do governo. PL e PT estão do mesmo lado.
Na Assembleia, tanto o presidente da CPI dos Pedágios, Paparico Bacchi (PL), quanto o relator, Miguel Rossetto (PT), comemoraram o recuo como “conquista da CPI”. Rossetto disse que a redução ainda é insuficiente, pregou mudanças mais radicais nos projetos e até a revisão do Bloco 3 que está em plena operação.





