
Ainda que tenha levado uma rasteira do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e dos seus conselheiros sêniores, o governador Eduardo Leite demonstrou infantilidade na forma como reagiu à derrota. Reza o manual de bons costumes na política que é preciso ter grandeza quando se perde uma eleição. No caso, não foi uma eleição, mas uma disputa interna na qual sabia que suas chances de ser o escolhido eram remotas.
Ao não cumprimentar Ronaldo Caiado e gravar um vídeo criticando a decisão do partido, Leite mostrou que não sabe perder. Se queria marcar posição, poderia ter dito o que disse sobre a necessidade de acabar com a polarização no Brasil, mas nesta eleição ele não tem alternativa. Ou se engaja na campanha de Caiado, escolhido pelo PSD, ou sai da política, esse campo minado onde as traições são comuns.
Quando entrou no PSD, Leite deveria saber que Kassab é um sujeito obtuso e que age ao sabor de seus próprios interesses. À época, a expectativa de Leite era de que o PSD apoiasse Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), a quem considera a mais palatável das opções na centro-direita.
Como Tarcísio foi atropelado por Flávio Bolsonaro (PL), Leite se preparou para apoiar o governador do Paraná, Ratinho Júnior, que estava à frente dele na fila do PSD. Só que antes de Ratinho desistir, Caiado entrou no partido e, pela idade e pelo perfil político, entrou na fila preferencial e será o candidato.
Mesmo que Caiado venha a desistir, como ocorreu com João Doria em 2022, depois de derrotar Leite numa prévia que até hoje ele não conseguiu processar, será tarde para o governador gaúcho. Para ser candidato, ele precisa deixar o governo do Estado até 4 de abril, coisa que não fará, porque decidiu cumprir o mandato até o fim.


