
Um dia depois de o governador do Paraná Ratinho Júnior se retirar da disputa presidencial sem ter sido confirmado como candidato do PSD, o presidente do partido, Gilberto Kassab, chamou o governador Eduardo Leite para uma conversa presencial em São Paulo. Os dois vão se encontrar nesta quarta-feira (25), já que Leite não poderia viajar hoje — ele tem uma recepção a autoridades que participam do South Summit no final da tarde, no Palácio Piratini.
Apesar de a imprensa do centro do país dar como certa a escolha do governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato, Leite se mantém no páreo, disposto a mostrar que é uma alternativa fora da polarização entre lulismo e bolsonarismo.
O governador do RS não se intimida com os resultados das pesquisas que mostram ele e Caiado muito distantes do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). O cenário não era diferente com Ratinho Júnior.
A escolha de Kassab, que não costuma consultar “as bases” do PSD antes de tomar uma decisão, dirá se ele quer um partido focado apenas em eleger deputados e senadores, para negociar apoio ao presidente eleito, ou se tem um projeto de poder para o Executivo. Nos eventos que organizou com os três pré-candidatos — com empresários e jornalistas, em São Paulo — Kassab os colocou em pé de igualdade. Porém, Ratinho era considerado o número 1 porque foi o primeiro a entrar no partido, reelegeu-se com sobra no Paraná, governa sem oposição e tem excelentes índices de avaliação.
Leite entrou depois, já convicto de que Kassab preferia apoiar o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos). Tarcísio saiu do páreo quando Jair Bolsonaro lançou o filho candidato.
Sem Tarcísio e sem Ratinho, Leite seria a opção natural do PSD, mas aí entrou Ronaldo Caiado para embaralhar o jogo. Veterano que disputou a primeira eleição da redemocratização, em 1989, o médico tem em 2026 sua chance derradeira de disputar a Presidência. Está com 76 anos, quatro a menos que o presidente Lula, que vai para sua sétima disputa. Aos 41 anos, Leite tem tempo para futuras eleições, a menos que decida cumprir o atual mandato até o fim e partir para a iniciativa privada, o que poderá lhe custar o lugar na fila.
Dadas as fragilidades de Lula e Flávio, os dois com índices altíssimos de rejeição, faria mais sentido o PSD lançar um candidato jovem, ousado, que não tem compromisso com o bolsonarismo nem com o lulismo, embora tenha sido eleito em 2022 com os votos dados ao PT no primeiro turno. A questão é saber se Kassab quer um candidato independente, que defende os ideais liberais e as reformas antipáticas, ou pretende ser apenas um apêndice do bolsonarismo, com um candidato como Caiado.
Tanto Leite como Caiado têm a seu favor a experiência administrativa que falta a Flávio Bolsonaro. A gestão de uma loja de chocolates que oficialmente faturava mais do que as outras franquias e tinha clientes viciados em pagar contas com dinheiro em espécie é mais um problema do que uma credencial.
Para o Rio Grande do Sul, que nos últimos anos perdeu o protagonismo na política, seria importante ter um candidato como Eduardo Leite para arejar o debate, provocar reflexões sobre o que realmente importa. Contra ele pesa a rejeição do eleitorado conservador, por ser homossexual e liberal nos costumes, mas há uma parte significativa da população brasileira que se define como de “centro” e está órfã de nomes para votar na eleição presidencial.




