
Será tensa a reunião da direção nacional do PT com o presidente do diretório do Rio Grande do Sul, Valdeci Oliveira, e membros da comissão eleitoral criada ainda em 2025 para conduzir os debates sobre a sucessão estadual. A ameaça de intervenção da direção nacional, para forçar o PT gaúcho a abrir mão da cabeça de chapa em favor de Juliana Brizola (PDT), incendiou as bases do PT e provocou manifestações fortes de líderes históricos, como o ex-governador Olívio Dutra, o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont e o ex-prefeito de São Leopoldo Ary Vanazzi.
Esses líderes invocam a tradição democrática no PT para exigir respeito à decisão do encontro estadual que sacramentou a pré-candidatura de Pretto. Movimento semelhante ocorre no PSOL, partido escolhido por Manuela D’Ávila, com ameaças de lançamento de candidatura própria se o PT abrir mão da cabeça de chapa em nome de um “palanque único para o presidente Lula”.
Com a autoridade de quem é o petista mais aplaudido em qualquer evento do partido, Olívio publicou uma nota em seus perfis no Instagram e no Facebook e encaminhou cópia ao presidente Lula e ao presidente nacional do PT, Edinho Silva. No texto, o ex-governador começa dizendo:
“Com todo respeito às candidaturas possíveis do campo da esquerda, mas o PT/RS já construiu, depois de muito diálogo com as direções dos partidos do campo democrático popular (alguns com problemas por estarem participando do atual governo privativista e neoliberal), debatendo de forma democrática junto às suas instâncias de base, paciente e não intempestivamente, reafirmando em Encontro Estadual a pré-candidatura ao Governo do RS do companheiro Edegar Pretto”.
Olívio diz que ocorreu o mesmo processo de afirmação e confirmação das pré-candidaturas ao Senado do deputado federal Paulo Pimenta e de Manuela, e que as vagas de vice e suplente de senador devem ser preenchidas por políticos indicados “pelos partidos do campo popular, na sua pluralidade e diversidade”.
Vanazzi e Pont foram na mesma linha de Olívio, acrescentando que a tradição democrática no PT é a direção nacional respeitar a vontade da base. Nos bastidores, petistas de diferentes correntes lembram que a única vez que a direção nacional desautorizou uma candidatura em nome de aliança com outro partido foi no Rio de Janeiro, quando Benedita da Silva foi convencida a desistir de ser candidata ao governo, e de lá para cá o partido perdeu relevância no Estado.
O deputado Pepe Vargas, citado pela coluna como possível vice de Juliana, fez questão de esclarecer que não foi convidado nem sondado para esse cargo e que está comprometido com Edegar, como coordenador do plano de governo do petista.
A preocupação dos petistas não é apenas com a eleição majoritária em si e o que consideram a fragilidade de Juliana nos debates políticos e a falta de compromisso do PDT com o governo Lula. É com a possibilidade de perder cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara, não tendo o 13 na eleição majoritária para puxar os candidatos à eleição proporcional.
Apoio na Capital
O diretório do PT de Porto Alegre também referendou Edegar para a disputa. Em resolução divulgada na noite de segunda-feira (23), os petistas da Capital avaliam que Edegar "reúne as melhores condições" para garantir uma vitória de Lula no Rio Grande do Sul. Na Capital, o PT é presidido por Rodrigo Dilelio.
"Reafirmar a candidatura de Edegar é defender a democracia interna do PT, os processos partidários de construção coletiva e respeitar a participação das nossas bases. Movimentos que busquem desestabilizar ou inviabilizar esse processo local poderão prejudicar nosso desempenho eleitoral aqui, causando prejuízos ao nosso projeto nacional", diz trecho do texto divulgado.
A avaliação feita pelos petistas é de que Edegar fará a defesa da reeleição de Lula durante a campanha e nos palanques, foco do PT em todo o Brasil, e não há a mesma certeza de que Juliana e as bases do PDT terão o mesmo engajamento. A principal crítica aos pedetistas recai sob o fato de que o partido ainda integra a base aliada de Eduardo Leite, da qual os deputados estaduais têm afinidade e se recusam a sair.
"Interromper o ciclo de 12 anos de governos neoliberais em nosso Estado é urgente. Precisaremos ter uma candidatura que faça a defesa das conquistas do governo Lula e tenha na reeleição do nosso projeto nacional o seu centro", defendem os petistas da Capital.





