
Se você ainda acredita que uma CPI seja capaz de fazer trabalho melhor do que a Polícia Federal ou o Ministério Público, pode ser estudado pela Nasa – ou por pesquisadores da área de antropologia. A CPI do INSS mostrou o que já tinha sido comprovado em outras pseudo-investigações. Que longe de elucidar crimes que estão sendo investigados pela polícia (Civil ou Federal) ou pelo Ministério Público, essas CPIs não passam de palanques eleitorais, com deputados e senadores defendendo seus parceiros e tentando desconstruir os adversários.
A CPI terminou sem a aprovação de um relatório, até porque na impossibilidade de prorrogação dos trabalhos, que tiveram a pá de cal colocada pelo Supremo Tribunal Federal, o relator empilhou duzentos e tantos nomes nomes, somados a fatos e suposições mencionados por depoentes, sem aprofundamento, para semear confusão. A oposição respondeu com outro relatório – igualmente sem pé nem cabeça – e o resultado soma zero.
— Ah, mas a o relator indiciou e pediu a prisão de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha — dizem os empolgados críticos do governo, alinhados com a direita.
— E a base do governo Lula fez um relatório alternativo, pedindo o indiciamento do senador Flávio Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro — respondem os simpatizantes da esquerda.
— Grande coisa — diremos nós que sabemos de que material são feitas as CPIs, sobretudo no ano eleitoral.
Para mostrar a inutilidade da CPI é preciso voltar à gênese do escândalo, que nasceu no governo de Michel Temer, cresceu no de Jair Bolsonaro e se multiplicou na gestão de Lula. Aposentados e pensionistas do INSS foram roubados por anos e anos por dirigentes de entidades supostamente criadas para defendê-los, sem que os parlamentares se empenhassem em denunciar a pilantragem. Foi a Controladoria e Auditoria-Geral da União quem identificou a fraude e implodiu o esquema.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal aprofundaram a investigação, afastaram suspeitos, prenderam gente, pediram o bloqueio de contas e a apreensão de bens. Muita água ainda vai correr por baixo da ponte até que se punam os culpados e o dinheiro volte aos cofres públicos, mas não será pelas mãos dos integrantes da CPI.
E o filho de Lula? Perdeu uma oportunidade de ouro, protegido pelos governistas, de mostrar que não tem culpa no cartório, apesar de suas relações com Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. Estar entre os suspeitos prejudica a candidatura do pai, mas pedir a prisão dele foi só jogo de cena. Nada além.




