
Na tentativa de conquistar o quarto mandato, o presidente Lula marcou um golaço nesta terça-feira (31), ao confirmar Geraldo Alckmin (PSB) como candidato a vice-presidente. Alckmin, que há muitos anos carrega o apelido de “picolé de chuchu”, pela falta de carisma, revelou-se o vice dos sonhos de qualquer candidato. Discreto, eficiente e leal, substituiu o presidente nos seus impedimentos sem arroubos e cumpriu com maestria o papel de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
Crítico de Lula no passado, quando concorreu a presidente pelo PSDB, chegou ao segundo turno mas reduziu a votação no segundo, o ex-governador de São Paulo converteu-se em um defensor aguerrido do governo. Adaptou-se plenamente à vida no Palácio do Jaburu ao lado da inseparável Lu, companheira de uma vida.
No Ministério do Desenvolvimento, Alckmin é peça-chave no relacionamento de Lula com empresários, incluindo aqueles de setores avessos ao PT. Ninguém mais lembra que ao ser anunciado ministro a ideia era de que fosse provisório, mas seguiu até agora por mérito.
No episódio do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, Alckmin ouviu as dores dos exportadores brasileiros e fez a ponte com o ministro Fernando Haddad para garantir o socorro emergencial. Na discussão da política industrial, soube ouvir – uma de suas qualidades mais lembradas pelos interlocutores.
Nos últimos dias, circularam especulações de que Lula dispensaria Alckmin para buscar um vice do MDB e ampliar a aliança pela qual será candidato. No fim, prevaleceu o bom senso de não trocar o certo pelo duvidoso. Lula repetiu a fórmula que deu certo com José Alencar. Buscou um vice que pensa diferente, é mais liberal do que os petistas e transita em um território hostil ao PT.
Alckmin mostrou no primeiro mandato que o Brasil pode ficar tranquilo se o presidente precisar se afastar, porque não é um aventureiro. De certa forma, ele pode ocupar na chapa de Lula o papel de terceira via em uma disputa que terá pelo menos quatro candidatos de direita, incluindo o ex-comunista Aldo Rebelo, hoje na Democracia Cristã.



