
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Os cinco pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul se enfrentaram pela primeira vez nessa sexta-feira (6), durante a Assembleia de Verão da Famurs, em Torres. O painel mostrou as primeiras estratégias de Edegar Pretto (PT), Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB), os pré-candidatos convidados para o evento. Covatti Filho (PP), que vai apoiar Zucco, também participou do evento.
O primeiro encontro entre os postulantes teve clima de cordialidade, apesar das críticas quase unânimes ao governo estadual, endereçadas a Gabriel, que devolveu alfinetadas aos adversários — principalmente Zucco e Edegar.
O vice-governador rebateu com resgate dos investimentos e programas do Estado, admitindo que é preciso avançar.
— Defendo uma agenda de evolução, que sim, é necessária, mas sem que percamos tudo o que evoluímos nos últimos anos. Podemos escolher pela evolução dessa agenda, mantendo os avanços, ou infelizmente optar por projetos que vão desmontar o que nós fizemos — disse.
Zucco apostou em discutir o desenvolvimento econômico, mesmo tema abordado por Juliana ao longo do debate.
— Há mais de 20 anos, o Rio Grande do Sul é o Estado que menos cresce no Brasil. É hora de romper esse ciclo com responsabilidade, precisamos unir a política gaúcha — defendeu Zucco.
— A gente precisa resgatar a política para o seu devido lugar, que é cuidar das pessoas. Segurança pública é prioridade, e nosso foco é um projeto de desenvolvimento integral para o nosso Estado — afirmou Juliana.
Único prefeito entre os participantes, Maranata mirou em um discurso em defesa dos municípios e das dificuldades do cargo.
— Tudo o que vocês decidem lá em Brasília, quem paga a conta são os prefeitos e vice-prefeitos que estão aqui. A conta está cada vez mais pesada, porque o Brasil não é Brasília.
Já Edegar falou em apoiar os setores produtivos do Estado e criticou o governo Leite ao comparar o crescimento do PIB gaúcho em relação com o índice federal.
— Nosso Estado tem um potencial extraordinário, o que estão faltando são escolhas melhores. O PIB nacional cresceu 3,3%; enquanto o do Rio Grande do Sul, só RS 1,7%. Estado não pode ser inimigo dos setores produtivos.
Repercussão contida
Em perguntas formuladas pela Famurs, os seis participantes falaram de saúde, educação, irrigação, infraestrutura logística e responsabilidade fiscal.
Zucco e Gabriel foram os mais celebrados pela plateia de prefeitos, vices e líderes partidários presentes, enquanto os outros pré-candidatos tiveram reações mais reprimidas.
Chamou atenção um momento em que Zucco, já nas considerações finais, questionou se os prefeitos estão satisfeitos com a situação do Estado, e foi surpreendido ao ouvir "sim" em resposta do público.
Nas redes sociais, os pré-candidatos repercutiram cortes do debate, dando uma tônica de como será a campanha eleitoral no segundo semestre. Os pré-candidatos optaram por dar mais espaço às manifestações em que falam dos temas abordados pela federação do que às picuinhas que permearam o debate.
Aliás
Durante o debate, Covatti fez diversos acenos à aliança com o PL de Zucco. Não houve, entretanto, nenhuma sinalização semelhante feita por Edegar ou Juliana sobre uma eventual frente unificada da esquerda.




