
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Um Centro Histórico como polo turístico e cultural e ocupado por pessoas. É o que promete a prefeitura de Porto Alegre, que recentemente conquistou um financiamento internacional de quase R$ 1 bilhão para a renovação de ruas, calçadas, praças e prédios históricos do bairro e do 4º Distrito. A estratégia integra o programa POA Futura, e é capitaneada pelo secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos, Cézar Schirmer.
São R$ 400 milhões destinados a melhorias no bairro, incluindo contrapartidas municipais, obtidos via Banco Mundial e Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). Pelo contrato, o município tem até o início de 2029 para entregar todas as obras no Centro Histórico.
Previstas para começar ainda este ano, as intervenções serão divididas em três fases. A primeira etapa foca no chamado urbanismo tático, em que são feitos reparos de pequena escala, como pinturas e qualificação do mobiliário urbano. As melhorias serão aplicadas na região da Praça Daltro Filho.
Será na segunda fase que as reformas mais estruturantes terão início. A etapa prevê a requalificação de 11 quilômetros de vias que impactam nos setores comercial e cultural, como as ruas dos Andradas e Riachuelo e a Praça da Alfândega, adotando modelo semelhante ao usado no Quadrilátero Central — com superfícies niveladas utilizando paver (blocos pré-moldados) e concreto, além de arborização e novos equipamentos públicos.
A prefeitura incluirá uma análise individual de cada espaço baseada em um plano funcional, visando entender as possibilidades de cada via. A equipe técnica da Secretaria cita a Sete de Setembro como exemplo de via que permite um projeto focado em pessoas, com ampliação de calçadas, ciclovia e paisagismo, em razão da largura e do baixo fluxo de veículos. Já a Siqueira Campos implicará um desafio maior para a redução de vagas e faixas de tráfego, dado o volume do tráfego.
A terceira etapa envolve vias com maior interferência do transporte coletivo, e que ainda dependem de estudos de impacto para definir o que poderá ser feito em cada local.
Ciente dos problemas e atrasos nas obras do Quadrilátero e do viaduto da Borges de Medeiros, que ainda causam transtornos na região, a prefeitura planeja uma licitação em que contratará uma única empresa para assumir o projeto e a obra, e por isso ainda não está definido o que será feito em cada local. O certame deve ocorrer no meio do ano sob regras dos bancos internacionais, que fiscalizam o cronograma e a qualidade das intervenções.
— Vamos buscar experiências internacionais para começar diferente. Se houver disputa entre a prefeitura e a empresa, o contrato prevê uma pessoa experiente para decidir. Também vamos reforçar a comunicação com moradores e comerciantes, para começar a obra com as pessoas já avisadas. Vai ser diferente, espero que para melhor — projeta Schirmer.
Mesmo com o cronograma para os próximos três anos, o Centro já soma R$ 100 milhões em investimentos recentes, como o próprio Quadrilátero, o segundo andar do Mercado Público e o Muro da Mauá.
Foco no adensamento
Um estudo doado pela AFD identificou o Centro Histórico, a Orla e o Quarto Distrito como os principais eixos turísticos da Capital, com a Usina do Gasômetro servindo como elo unificador dos atrativos. Por isso, além da melhoria das ruas, a prefeitura planeja a reforma de 14 praças do bairro e nove elementos do patrimônio histórico, incluindo o Paço Municipal, o Mercado Público e a chaminé do Gasômetro.
O secretário está confiante de que as melhorias, aliadas a um trabalho mais presente da Guarda Municipal, vão ampliar a segurança na região e, por consequência, atrair mais investimentos para o Centro Histórico. Esta é a aposta da prefeitura para ocupação dos prédios que hoje têm muitos andares desocupados e que, aos poucos, têm sido reformados e disponibilizados como apartamentos e espaços comerciais — no processo chamado de retrofit.
— O que dá vida ao espaço urbano é gente. Só ocupando os imóveis vazios, é possível atrair 25 mil novos moradores. Isso adensa o Centro e quanto mais gente botar aqui, mais se atrai atividades econômicas, culturais — conclui o secretário.





