
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
A desistência de Ernani Polo da corrida pelo Palácio Piratini abriu caminho para o Progressistas sacramentar aliança com o PL, que vem sendo articulada desde o ano passado e deve ser formalizada até o final de março. Nas últimas semanas, as alas divergentes do PP se reaproximaram com o objetivo de manter a união das bases partidárias e estão alinhadas no caminho a ser seguido para o primeiro turno da eleição estadual.
Antes de oficializar a coligação, serão feitas pelo menos duas reuniões para que seja estabelecido um alinhamento interno entre os progressistas. Uma delas será da comissão eleitoral do partido, para debater a proposta de aliança chancelada em reunião do diretório em janeiro, e outra deve reunir as bancadas estadual e federal com líderes do PL, como o presidente estadual Giovani Cherini e o pré-candidato Luciano Zucco, o que até agora não aconteceu.
— Não existe mais racha no partido, conseguimos trabalhar essa unidade partidária. Agora vamos trabalhar uma série de ações com o PL — afirma Covatti Filho.
Os encontros devem ocorrer em até duas semanas. À coluna, Zucco afirmou que planeja ter o PP no palanque ao seu lado durante agenda de Flávio Bolsonaro no Rio Grande do Sul, em 28 de março.
Estas reuniões servirão para discussão sobre a composição da chapa em torno de Zucco, cujo candidato a vice-governador será indicado pelo PP, conforme acordo firmado entre os partidos em janeiro. A favorita neste momento é a deputada estadual Silvana Covatti, mãe do presidente do partido no RS.
A deputada recebeu Zucco em seu gabinete nesta terça-feira (3) e foi elogiada pelo pré-candidato do PL. Silvana admite a intenção de compor em uma chapa majoritária desde o início de 2025 — a dúvida era se estaria ao lado do liberal ou de Gabriel Souza (MDB).
Segundo o colunista Matheus Schuch, a chapa Zucco e Silvana já está fechada. Entretanto, nem Covatti Filho nem o vice-presidente do partido, deputado Afonso Hamm, confirmam que haja um acerto. Ambos garantem que o tema ainda será debatido internamente e reforçam que a decisão caberá exclusivamente ao Progressistas.
Além de Silvana, o senador em fim de mandato Luis Carlos Heinze também está no páreo. Caso seja preterido, Heinze pode ficar com a suplência de Ubiratan Sanderson (PL) na disputa pelo Senado. A postura recente de Heinze, inclusive, é considerada nos bastidores como um fator determinante para a desistência de Polo. Inicialmente, o senador defendia a candidatura própria do PP, mas mudou de lado há poucos dias e passou a apoiar a aliança com o PL.
A vaga de vice foi oferecida ainda a Ernani Polo, que recusou por não estar disposto a concorrer ao lado de quem critica o governo do qual fez parte até o início do ano. Polo renunciou ao cargo de secretário estadual do Desenvolvimento Econômico em janeiro. Em reunião na segunda-feira (2), Covatti pediu para que Polo mantivesse seu nome à disposição do partido e continuasse na vida pública, e os dois ficaram de conversar novamente em alguns dias.
A mudança de postura do grupo ligado a Polo, que agora aceita a aliança com o PL, foi adotada após a negativa do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, em realizar uma pré-convenção no Estado. Na avaliação de Hamm, o partido vive um "novo momento" após avaliação do cenário nacional.
— O diagnóstico é de que o desfile de Carnaval em homenagem a Lula e os escândalos do Banco Master e do INSS causaram uma indignação entre as lideranças nas bases, que começaram a querer fazer esse encaminhamento de já participar de um bloco de direita no primeiro turno.
Aliás
Com o Progressistas, Zucco fecha o grupo de apoio em cinco partidos. O PL encaminhou aliança também com Novo, Podemos e Republicanos. A coligação terá a maior fatia do tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão. O cálculo estimado é de seis minutos, do total de 10 disponibilizados aos candidatos.





