
O jornalista Gabriel Jacobsen colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
De volta à presidência do PSB gaúcho, Beto Albuquerque promete, como primeira medida, retirar o partido da base aliada do governo de Eduardo Leite ainda nesta quinta-feira (5). Beto, que assumiu nesta quarta-feira o comando estadual do PSB, diz que vai informar a decisão a Leite se possível em uma reunião presencial, senão, por ofício.
— Uma das primeiras medidas que eu farei ainda hoje (quinta-feira) é comunicar o governador Eduardo Leite de que o PSB está fora do governo, não tem compromissos com o governo. E que, portanto, ele está autorizado a demitir, a exonerar todos que representam o PSB no governo. E esses (filiados do PSB) que estão no governo ou saem do governo ou saem do partido — disse Beto.
A presença do PSB no governo Leite desagrada, há anos, a ala mais à esquerda do partido socialista. Com a proximidade das eleições e com a formação das alianças, o tema ganhou urgência no comando nacional do PSB.
— O que está em jogo é a coerência política do PSB que tem o vice-presidente da República (Geraldo Alckmin) na chapa com o Lula e que nos Estados, tem que, de um modo geral, estar junto com os partidos que representam esse governo. No caso do Rio Grande do Sul, com PT, PCdoB, PSOL, PV, quem sabe com o PDT também, caso estejamos todos juntos — argumentou Beto.
O principal nome do PSB no governo do Estado é o ex-deputado federal José Stédile, presidente da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase). Stédile — que renunciou à presidência estadual do PSB nesta quarta-feira — diz que é incoerente exigir a saída do atual governo, argumentando que o PSB integrou a base aliada do primeiro governo Leite, do governo de José Ivo Sartori e de prefeituras que representam o mesmo campo político.
— Nossa posição não é ser a favor ou contra o PT. Nossa discordância é com o método. Nós participamos dos governos Tarso Genro, Sartori, Leite. Hoje o sistema político impede que alguém governe sem uma base consistente. Participamos também nas prefeituras de Caxias do Sul e de Santa Maria — disse Stédile.
Stédile diz que não pedirá de imediato a exoneração do cargo que ocupa de presidente da Fase e que, se o novo presidente do PSB gaúcho não concordar, que o expulse do partido.
— Ele que expulse quem quiser ficar no governo Leite. Não vou sair porque acho incoerente — destacou Stédile.
O PSB não comanda secretarias estaduais, mas tem cargos de segundo e terceiro escalão em diversas pastas.





