
Quando se imagina que nada de novo pode surgir contra ministros do Supremo Tribunal Federal no escândalo Daniel Vorcaro, surge uma nova informação para mostrar que a piscina de lama tem fundo infinito.
A edição desta quinta-feira (19) do Estadão mostra que o Banco Master e a JBS (dos irmãos Batista) repassaram R$ 18 milhões a uma empresa de consultoria que fez pagamentos a Kevin Nunes Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os repasses, realizados entre agosto de 2024 e julho de 2025, aparecem em documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) referentes a movimentações do Master.
O valor de R$ 252 mil repassado ao filho de Kássio é irrelevante, se comparado ao contrato milionário firmado pelo Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, de R$ 3,6 milhões mensais, que totalizaria, ao final, R$ 129 milhões. Ou do negócio com Dias Toffoli no resort Tayayá. Ou, ainda, do contrato com o ex-ministro Ricardo Lewandowski. No caso do rebento de Nunes Marques a questão é saber se teria recebido R$ 252 mil da Consult, se não fosse filho de quem é.
A empresa chamou atenção do Coaf porque declarou faturamento de R$ 25,5 mil e recebeu R$ 18 milhões do Master e da JB. A troco de quê? Consultorias, consultorias, consultorias.
Banco Master
O padrão Master de corromper, indicam as investigações até aqui, é pagar por consultorias superfaturadas ou fictícias aqueles a quem deseja bajular. Ou contratar escritórios de advocacia a preços que não existem no mercado. Ainda que o banco tenha sido liquidado, mesmo com todos os contatos de Vorcaro nos altos escalões dos três Poderes, resta evidente que o ex-banqueiro aplicou a regra básica de não colocar todos os ovos na mesma cesta.
A Bahia é um exemplo acabado dessa preocupação em garantir boas relações com a esquerda e a direita. Vorcaro investiu no senador Jaques Wagner e no ministro Rui Costa, do PT, e no ex-prefeito ACM Neto, do União Brasil, que virou consultor depois de perder a eleição para o governo do Estado.
No Congresso, era o Centrão o território fértil para os investimentos políticos de Vorcaro, “amigo da vida” de Ciro Nogueira, presidente do PP, e cliente do escritório de advocacia do presidente do União Brasil, Antônio Rueda.












